Coluna de Luis Carlos Rosa

Pensando bem
28 de Janeiro de 2017 às 08:00

Escrevi em uma coluna, semanas atrás, acerca do envelhecimento da população mundial e brasileira e da necessária reforma previdenciária daí decorrente, tema que está na pauta do governo federal, ocasionando uma debandada ou uma projeção de debandada de inúmeros funcionários públicos que já têm o tempo de serviço e a idade suficientes para uma aposentadoria, segundo as regras atuais. Para estes, aliás, a rigor, não haveria motivos para desespero, já que têm eles a proteção do chamado “Direito Adquirido”, conceito que chegou a ser questionado em um outro momento recente, mas que tem a proteção constitucional. Ou seja, trocando em miúdos, quem já completou todos os requisitos para a aposentadoria, não teria com o que se preocupar diante da iminente reforma nos critérios, que só alcançariam as demais pessoas.

No meu caso, estou entre aquelas pessoas que estão prestes a completar os requisitos para uma aposentadoria, segundo as regras vigentes, faltando pouco mais de um ano, já tendo a convicção que terei mais um tempo pela frente, embora beneficiado com a chamada regra de transição que está sendo costurada, por já ter ultrapassado a barreira dos 50 anos de idade. Independente disso, nem passa pela minha cabeça a hipótese da aposentadoria, gosto do que faço, me sinto útil e com energia mais do que suficiente para outros vários anos de labuta, pelo menos essa é a percepção atual.

Ocorre que trabalho desde muito jovem, desenvolvendo atividades laborativas ainda quando criança na entrega e venda de jornais, venda de picolés, depois, quando a idade permitiu, tive assinada a Carteira Profissional de Trabalho com 14 anos e desde lá, nunca deixei de contribuir, estando registrado naquele documento minha primeira profissão oficial, “office boy”, de lá para cá nunca fiquei desempregado, ingressando no serviço público com 19 anos de idade, permanecendo até hoje, com a alternância de cargos, primeiro no Poder Executivo e depois no Poder Judiciário.

Me criei ouvindo de meus pais a importância e a necessidade do trabalho, fui educado tendo o trabalho como uma das diretrizes, o que certamente também é a realidade de inúmeros leitores, não me soando como algo que me daria satisfação simplesmente se aposentar. Alguns amigos verbalizam que estão cansados de trabalhar, que não querem mais compromissos de horários, que querem um tempo para si, para viajar, terem mais tempo de lazer, de ócio. Isso para quem pode, porque para uma boa parcela da população a continuidade do trabalho é muito mais do que uma opção, mas sim uma imposição de complementação de renda.

O fato é que não fomos educados para o ócio, mas sim para o trabalho, gerando uma grande angústia a decisão pela aposentadoria, embora existam algumas pessoas que parecem lidar muito bem com a falta de ocupação laborativa, dedicando-se a atividades do dia a dia, família, lazer, sem outras preocupações, perfil no qual não me enquadro.

Estou entre aqueles, para quem o trabalho me mantém vivo, pulsante, vibrante, fazendo parte do meu cotidiano, sendo uma necessidade, muito mais que uma obrigação, um dia quem sabe, quando o cansaço bater de vez, aí sim, parto definitivamente para minhas pescarias, viagens, conversas descompromissadas com os amigos, leituras, escritas, assistir bons filmes, comer e preparar bons pratos acompanhar meu time do coração Brasil afora, ....... pensando bem, não seria uma má ideia.

Um ótimo final de semana.

 Juiz de Direito Titular da Vara da Infância e Juventude de Santo Ângelo. Professor Universitário na URI-Santo Ângelo. Mestre em Direito, Pós- Graduado em Processo Civil.

Email: lucarlosrosa@yahoo.com.br

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