Coluna de Eduardo Matzembacher Frizzo

Quatro constatações genéricas
20 de Maio de 2017 às 08:00

1.
Sabe aquele tipo de gente que acha que sabe e não sabe que não sabe, mesmo que tenha a oportunidade de saber? Pois é: esse cara é burro. Sabe aquele tipo de gente que passa a vida se fazendo de vítima injustiçada e não assume a responsabilidade por seus erros? Então: esse sujeito se acha especial. Sabe aquele tipo de gente que julga os outros de acordo com a conveniência do seu umbigo, sem ter a mínima noção de humanidade, civilidade ou bom-humor para o que fala? Veja bem: esse é desrespeitoso. Sabe aquele tipo de gente que é duas caras: na tua frente, um anjo querido e meigo; pelas costas, um baita de um traíra? Saca só: esse aqui é falso.
O que penso de seres humanos assim? Em uma palavra: insuportáveis, típicos integrantes da “Geração Lua de Cristal” – aquela que se vê como grande coisa, quando em realidade se afoga em palermice.

2.
É questão de humanidade, não de ideologia, condenar todo e qualquer regime de exceção de direitos, seja de direita ou esquerda. Quem não entende isso, precisa rever seus conceitos. Afinal, são dois os pilares civilizatórios atuais: respeito amplo e irrestrito à democracia (e consequentemente às regras e exigências do jogo democrático) e aos direitos humanos (e por conseguinte aos direitos fundamentais e todas as garantias que os mesmos trazem consigo). Sem esses dois vetores, não se pode sequer discutir política no contexto contemporâneo, já que é disso que todo o restante depende. Portanto, os “saudosos” da Ditadura Civil-Militar Brasileira, por exemplo, estão definitivamente na época errada – valendo o mesmo para todos aqueles que se calam ou aplaudem violações de direitos dignas de Estados de Exceção ocorridas cotidianamente no Brasil e em qualquer lugar do mundo em virtude do seu “pensamento partidário”.
Humanidade não se discute: ou você têm, ou você não têm.

3.
Povo adora colar na prova. Povo sonega imposto. Povo não respeita leis de trânsito. Povo joga lixo na rua. Povo perturba os vizinhos. Povo cita texto e não coloca a fonte. Povo sempre quer um favorecimento do “migo” da repartição pública. Povo não estuda e pensa que tem razão. Povo é preconceituoso que só, machista que só. Povo acha que tem o rei na barriga. Povo não assume a responsabilidade.
Daí povo diz: “Nossa! Quanta corrupção nesse país!”.
Mas escuta: tu achas que uma sociedade assim ia produzir o quê? Santos?

4.
Gravação de Temer dando aval para a JBS comprar o silêncio de Cunha na cadeia.
Polícia Federal filma indicado por Temer recebendo propina.
Aécio grampeado pedindo R$ 2 milhões para sua defesa na Lava-Jato.
Diante disso, reconheçamos: não existe nenhuma “reforma” aceitável nessa altura do campeonato. Nem trabalhista, nem previdenciária ou política e tributária. Só dá pra voltar a discutir isso com um novo Congresso e um novo Presidente. Sem que a soberania popular volte a ser ouvida depois desse caos que se instalou no Brasil desde 2015, não há qualquer resquício de legitimidade possível para qualquer Governo.
Sintetizando: primeiro temos que derrubar essa gente que está aí – e só então conversamos.

Mestre em Direitos Humanos e Desenvolvimento pela Unijuí. Especialista em Docência para o Ensino Superior e graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela CNEC/Iesa Santo Ângelo. Advogado e professor universitário em sede de graduação e pós-graduação no Curso de Direito da Faculdade de Balsas (Unibalsas/MA). Diretor Jurídico da Sociedade Racionalista (www.sociedaderacionalista.org). Editor e responsável pelo blog Não é céu. (www.naoeceu.blogspot.com).

Email: eduardo7frizzo@hotmail.com

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