Coluna de Eduardo Matzembacher Frizzo

Antigo
01 de Julho de 2017 às 09:42

Coisa boa fazer parte de uma geração que ainda compra CDs dos seus artistas prediletos – e dá play no álbum pra ouvir o dito de cabo a rabo, sem interrupções, propagandas ou troços do gênero.

Coisa boa fazer parte de uma geração que prefere livros físicos a livros virtuais – e que se criou sem Google e CTRL+C/CTRL+V, tendo que ir na biblioteca da escola toda vez que precisava fazer uma pesquisa (e não perdeu nenhum pedaço por conta disso).

Coisa boa fazer parte de uma geração que frequentava locadoras – de maneira que a gente criava quase que uma amizade com o atendente ou o dono da loja, passando horas no garimpo de filmes e esperando pra que aquele DVD ou aquela fita fosse devolvida no horário pra você garantir sua reserva.

Coisa boa fazer parte de uma geração que gosta de bancas de jornal e revistas, que já mandou correspondências pelo Correio, que viajou de carro com todos os vidros abertos porque ar-condicionado era pra gente rica, que assistiu a primeira temporada de Malhação, que achou que o mundo iria travar no “bug do milênio”, que sentiu o cheiro dos mimeógrafos nas provas, que sabe que você vai para um show pra assistir ao espetáculo e não pra ficar tirando fotos sem parar, que aprendeu a usar o computador no MS-DOS, que tem a consciência que tem que ser educada com os outros, mesmo que os outros sejam completos desconhecidos, que pediu música na rádio pra gravar em K7, que conhece o significado da palavra “limite”, que fez campeonato de Mortal Kombat no Super Nintendo e teve um Atari ou um CCE como seu primeiro videogame, que viu os Raimundos em sua formação original antes do Rodolfo pirar na batatinha, que via suas colegas colecionar papéis de carta e que não fica reclamando de tudo e mais um pouco como se tivesse o rei na barriga e fosse conhecedora de todos os assuntos e temas unicamente porque leu na Wikipédia ou recebeu um whats.

No auge dos meus 32 anos, definitivamente sou um velho forjado entre o final dos anos 90 e o início dos anos 2000 – e acho isso excelente.
Adoro todas as comodidades trazidas pela internet, reconheço que muita coisa melhorou no mundo e no Brasil da minha adolescência até aqui e acho engraçadas as certezas e o “ligeirismo” dessa galera dos seus 16 ou 17 anos – mas, de forma alguma, gostaria de estar na pele deles.

“Ser antigo”, em alguns pontos, é algo espetacular.
 

Mestre em Direitos Humanos e Desenvolvimento pela Unijuí. Especialista em Docência para o Ensino Superior e graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela CNEC/Iesa Santo Ângelo. Advogado e professor universitário em sede de graduação e pós-graduação no Curso de Direito da Faculdade de Balsas (Unibalsas/MA). Diretor Jurídico da Sociedade Racionalista (www.sociedaderacionalista.org). Editor e responsável pelo blog Não é céu. (www.naoeceu.blogspot.com).

Email: eduardo7frizzo@hotmail.com

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