Coluna de Eduardo Matzembacher Frizzo

Lixo e “Okja”
22 de Julho de 2017 às 09:00

Lixo
Deixando um pouco de lado as polêmicas políticas das últimas semanas e a podridão que atinge os três poderes do Estado brasileiro, acho importante pensarmos um pouco sobre algo muito sério: o lixo.

Quando falamos de reciclagem de lixo e do problema do lixo, costumamos jogar a responsabilidade em dois personagens: no Poder Público (principalmente nas Prefeituras, que não investem como deveriam em coleta seletiva e reaproveitamento do lixo reciclável) e no povo (que em sua maioria não possui nenhuma consciência ecológica e descarta o lixo em qualquer local sem qualquer pudor).

Mas por que não falamos também das empresas que se utilizam de embalagens recicláveis e não fazem o menor esforço para de fato promover a reciclagem das embalagens que usam para os seus produtos?

Essa pergunta vale tanto para empresas grandes, como a Nestlé, a Unilever, a Coca-Cola e a Ambev, quanto para negócios pequenos, como uma pizzaria ou uma padaria de bairro. Claro que existe a legislação que trata da logística reversa (pesquisem sobre esse tema, sério mesmo). Mas vêm cá: em quais setores e em qual volume ela de fato é aplicada?

A questão do lixo e de toda a degradação ambiental que provém dela é um ponto fundamental para a nossa época e exige ações de responsabilidade compartilhada para que tenha alguma possibilidade de resolução. Mas quando o Poder Público, o povo e as empresas não agem de forma efetiva e consciente, sob pena de responsabilização civil e penal, fica extremamente complicado. O lixo que produzimos, como todos sabem, sempre acaba voltando para nós de uma ou de outra forma.

Não adianta a gente fazer discurso ecológico nas escolas ou defender a responsabilidade social empresarial se, no mundo real, estamos imersos em um lixão e quase ninguém faz nada a respeito ou se preocupa com isso.

“Okja”
Se eu falasse que um filme cuja protagonista é uma superporca gigante pode chocar e emocionar, você acreditaria em mim?

Pois creia: é isso que proporciona “Okja” (2017), dirigido por Bong Joon-ho e co-escrito por Bong e Jon Ronson, o qual concorreu no Festival de Cannes esse ano e está disponível na Netflix.

Ao tratar da crueldade da raça humana quanto aos outros animais, trazendo à tona especialmente uma crítica à indústria da carne, “Okja” consegue atingir seu objetivo de uma maneira claríssima, de modo que, depois do filme, você fica francamente comovido e tentado a andar pelas plagas do veganismo.

Utilizando-se de alguns clichês que funcionam muito bem, como a humanização animal e a histeria gananciosa das empresas que atuam no setor da carne, “Okja” se comunica com todo e qualquer público ao fazer até mesmo referências a “Dumbo”, clássico da Disney de 1941.

Portanto, se você quer repensar a sua relação com aquilo que come e consome e ver algumas lições claras sobre o discurso da libertação animal, recomendo fortemente.

É um filme que fica na sua cabeça, quer você queira ou não.

Para que isso aconteça, basta ter coração.
 

Mestre em Direitos Humanos e Desenvolvimento pela Unijuí. Especialista em Docência para o Ensino Superior e graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela CNEC/Iesa Santo Ângelo. Advogado e professor universitário em sede de graduação e pós-graduação no Curso de Direito da Faculdade de Balsas (Unibalsas/MA). Diretor Jurídico da Sociedade Racionalista (www.sociedaderacionalista.org). Editor e responsável pelo blog Não é céu. (www.naoeceu.blogspot.com).

Email: eduardo7frizzo@hotmail.com

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