Coluna de Eduardo Ritter

Só pode ser macumba
21 de Maio de 2015 às 10:15

“Eu vou botar o teu nome na macumba, vou procurar uma feiticeira, fazer uma tizumba pra te derrubar, ô-ia-ia! Você me jogou um feitiço quase que eu morri, só eu sei o que sofri, que Deus me perdoe mas vou me vingar”. O trecho dessa música do Zeca Pagodinho ilustra bem como estou me sentindo, enquanto gremista. Não há uma explicação lógica para justificar o que está acontecendo com o tricolor nos últimos anos. O Grêmio já tentou de tudo: já trocou diretoria, já tentou ficar só com apostas, já trouxe jogadores medalhões, caros, experientes, investiu milhões em técnicos de todos os tipos – dos ilustres aos desconhecidos –, até trocou de estádio! Enfim, tudo o que poderia ser feito, foi feito. E não funcionou. De 2001 pra cá, vencer Gauchão é ganhar Copa do Mundo. Triste, para quem, como eu, cresceu nos anos 1990, vendo o Grêmio ganhar tudo. Eu até tinha uma camiseta, no tempo de colégio, com o símbolo do tricolor e a seguinte frase: “Tô de saco cheio de ser campeão”. Isso em 1997, logo depois de papar uma Copa do Brasil, tendo nos dois últimos anos Brasileirão, Libertadores, Recopa, Gauchão e tudo o mais que se podia se ganhar na época...

Mas... veio os anos 2000. E com ele, veio a macumba. Isso mesmo. Só pode ser macumba, e da braba. Já passaram pelo clube treinadores como Mano Menezes, Renato, Luxemburgo, Silas, Celso Roth, e muitos outros. E também jogadores como Barcos, Zé Roberto, Douglas, Souza, Maxi Lopes, Pedro Júnior, Lipatin, Carlos Eduardo, Ânderson, Tcheco, Pará, enfim, uma penca, para todos os gostos e bolsos. E ninguém conseguiu resolver. É macumba, só pode. No mínimo algum grupo de colorados magoados com os anos 1990 investiu tudo o que tinha com o Mestre Bita do Barão, maior pai de santo do Brasil e personal Guru da família Sarney, para fazer o Grêmio parar de ser campeão, entrar em crise, e levar as energias vencedoras para o lado da beira do rio. Essa é a explicação mais racional que encontrei.

A confirmação de que a minha teoria estava certa, veio nessa semana com a saída do Felipão. Era a nossa última esperança. A última ficha de quem entrou em um cassino em Las Vegas com U$50 mil e agora tem uma ficha de U$1. A tentativa desesperada de recuperar a fortuna perdida em um lance. E perdemos. Perdemos Felipão e perdemos a autoconfiança. Ainda temos a ameaça de perdermos até nosso pseudo-estádio. Ficaremos sem teto. Sem título. Sem jogador, nem treinador. Pois o que está na Arena que não é do Grêmio não pode ser chamado de time. A sensação que nós, gremistas, sentimos é de que tudo acabou. É o fim. O Grêmio é, cada vez mais, o Botafogo do Rio Grande do Sul. O time que não mete medo em ninguém, que não ganha nada, que vive do passado, mas que ainda é considerado (até quando?) um dos grandes do futebol brasileiro. E tudo culpa dela, da macumba. Enquanto os tricolores não se reunirem para fazer uma macumba mais forte, quem sabe com um pai de santo haitiano, não temos chance. Até isso acontecer, nosso maior triunfo será o fracasso do rival. Haja fé! Santa Fé! Hasta!
 

Jornalista, mestre em Comunicação Social, assina coluna que circula nas quintas-feiras.

Email: eduritter@hotmail.com

Mais artigos de Eduardo Ritter