Coluna de Eduardo Ritter

O último suspiro dos anos 1990
25 de Junho de 2015 às 10:45

O bom trabalho que Roger está fazendo no Grêmio desde que assumiu o time é o último suspiro futebolístico para pessoas que, como eu, são saudosas dos anos 1990. Dos jogadores daquele tempo, creio que apenas o Zé Roberto ainda está por cima. Até os treinadores daquele tempo ficaram ultrapassados: Felipão acabou com os 7 a 1. Luxemburgo perambula de clube em clube sem conseguir chegar perto de ser o mesmo treinador-estrela daquele tempo. Muricy Ramalho foi para as cucuias há pouco. Celso Roth se mantém na mesma, sendo o eterno bombeiro que tenta salvar times do rebaixamento. E Roger, o maior lateral esquerdo do futebol brasileiro dos anos 1990 (ele botava o Roberto Carlos no bolso) é o único que mantém a esperança de quem ainda sonha em ver se repetir alguns dos scripts daquele tempo. Por isso, gremistas, vamos curtir o momento.

Outro que morreu para o futebol – só falta colocar no caixão para desencarnar de verdade – é Eurico Miranda. Gordo e amarelo, parece um defunto que teima em andar, falar e causar polêmica. Levou toco do Léo Moura e do Ronaldinho Gaúcho (que fase!). E, de quebra, o Vascoé o único time que ainda não ganhou na Série A em oito jogos. E tentando resolver os problemas como resolvia duas décadas atrás, Eurico é uma piada. Naquele tempo dava certo. Hoje não. Assim como não dá para Luxemburgo, Muricy Ramalho e Felipão. Eles foram os melhores. Não tem ninguém no futebol do século XXI que chegue perto do que eles fizeram (a não ser eles mesmos, como o Felipão da Seleção de 2002). Os que riem deles hoje, têm ídolos futebolísticos de areia. Abel? Marcelo Oliveira? Mano Menezes? Não fizeram 5% do que Felipão, Luxemburgo & Cia fizeram. O problema é que eles não quiseram sair de cena. Não quiseram abandonar o campeonato, metaforicamente falando. Poderiam ter saído por cima, mas insistiram em ficar. E, por insistirem em ficar, acabaram trabalhando sem aquilo que torna um sujeito vitorioso: tesão. Não no sentido sexual, mas no sentido de viver a vida, de sentir prazer em assumir desafios. E isso o Roger tem de sobra, como treinador. Assim como – pelo menos na minha opinião – também tem o Diego Aguirre. Ele está morrendo de vontade de se consagrar no Brasil. Ele viu como a torcida trata D’Alessandro e quem se torna ídolo aqui. E ele quer ser um desses. E no Grêmio, talvez Roger consiga ressuscitar esse sentimento de querer entrar na história de um clube entre os jogadores. I hopeso.

Enquanto isso, o que nos resta? Assistir ao Brasil comemorar uma vitória magra contra a Venezuela. Nos anos 1990, menos do que 5 a 0 contra a Venezuela era motivo de vaia. Porém, naquele tempo a seleção tinha Bebeto, Romário, Rivaldo, Mauro Silva, Ronaldo, Rivaldo e mais um monte de jogadores que não conseguiam sequer ser convocados, mesmo jogando muito do que os titulares do Brasil de hoje, como Edmundo, Edílson, Evair, Denner, Djalminha, Amoroso, Giovanni, Renato Gaúcho, Túlio e muitos outros. E hoje? Quem diabos é Firmino? Até onde eu sei, Firmino é o porteiro da novela mexicana Carrossel. E aquele outro, que fez até gol outro dia? Nem sei o nome e não faço ideia de onde jogue. Tardeli? Seria quarto reserva do Jardel (o velho Nildo e o Alexandre Xoxó jogavam muito mais). Essa é a nossa seleção. Esse é o futebol contemporâneo. O futebol dos 7 a 1. O futebol aonde o Inter tem chance de ser tri da Libertadores. A maior prova da crise futebolística do século XXI...
 

Jornalista, mestre em Comunicação Social, assina coluna que circula nas quintas-feiras.

Email: eduritter@hotmail.com

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