Coluna de Eduardo Ritter

Uh quem mesmo?
13 de Agosto de 2015 às 09:10

Lembro-me como se fosse hoje daquele terrível Grenal de 1997 em que o Grêmio levou 5 a 2 do Inter no Olímpico. E, naquele tempo, o Grêmio era o time que ganhava tudo e o Inter era o time que era piada no Brasil inteiro (quase um Botafogo) porque não ganhava de ninguém. Títulos? Era coisa que colorados de menos de 30 anos não sabiam o que significava (a não ser a rara Copa do Brasil de 1992). E, mesmo com o Grêmio ganhando tudo naquele tempo e o Inter nada, os colorados enchiam a paciência de qualquer gremista com o grito “Uh, Fabiano!”, que foi o destaque daquele jogo marcando duas vezes. E, assim, nós, gremistas, ouvimos por muitos anos a corneta dos 5 a 2. Mesmo quando o Grêmio ganhou a Copa do Brasil em 2001, vinha algum colorado falar nos 5 a 2. Na conversa entre colorados, eles lembravam (e os mais velhos ainda lembram) desse jogo como se fosse um título. Aliás, teve gente que vibrou mais com os 5 a 2 no Grêmio de 1997 do que com o gol do Gabiru contra o Barcelona...

Porém, o mundo dá voltas. E, se por um lado o Inter passou a ganhar tudo e o Grêmio nada, teve o troco. O Inter é pentacampeão gaúcho e se igualou em relação ao número de títulos internacionais do Grêmio. E daí? Os 5 a 0 é a nova corneta. E vai durar muito tempo. O Inter pode até ganhar a Copa do Brasil desse ano (como o Grêmio ganhou a de 1997, ano dos 5 a 2), mas, vão se passar os anos, as décadas, e sempre vai ter um gremista para estender a mão aberta, indicando os cinco dedos dos 5 a 0. E não foi nem “a 2”, foi “a 0” mesmo. Goleada maior, mais humilhante, mais destruidora. Acabou com o Inter. Foi pior do que perder para o Mazembe. Pior do que ser rebaixado. Foi a maior goleada em grenais desde 1948 (quando o Inter fez 7 a 0). Desde então, nem Grêmio nem Inter haviam derrotado o rival por cinco gols de diferença. Foi o 7 a 1 do futebol gaúcho. E, mesmo sem ter um grande time, com jogadores medianos, com Luan sendo o Fabiano dos gremistas, o Grêmio atropelou e poderia ter feito 6, 7, 8 se jogasse um pouquinho mais a sério. Mas, depois do terceiro gol, virou pelada. Era um time treinado e organizado contra um bando de jogadores sem saber pra onde correr, perdidos feito baratas tontas. E o grito da torcida da arquibancada fazia com que Valdívia, Alison, Alex e outros se sentissem como um touro esgualepado pelo toureador em uma arena espanhola. E o grito de “olé!” vai ecoar ainda por muitos anos nos ouvidos dos colorados...

Enfim, não tinha como deixar passar em branco tal data. Independentemente do que acontecer no futebol até o fim do ano, os 5 a 0 entraram para a história mais do que qualquer título que a dupla possa ganhar nesse ano. Os colorados podem responder, podem usar a razão, mas a corneta futebolística não vive de razão. Vive de coisas inesperadas. Quanto mais inesperado, maior a corneta. É graças a isso que a corneta da Série B é eterna, bem como a do Mazembe e, agora, a dos 5 a 0. Colorados, preparem-se, pois os próximos anos não serão fáceis...
 

Jornalista, mestre em Comunicação Social, assina coluna que circula nas quintas-feiras.

Email: eduritter@hotmail.com

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