Coluna de Eduardo Ritter

Estamos perdidos
27 de Agosto de 2015 às 08:00

Quando estava nos Estados Unidos, há pouco mais de um ano, eu fazia algumas reflexões que geravam (e ainda geram) críticas por parte de várias pessoas. Mas, de volta, depois de ter vivido o processo eleitoral do ano passado, e acompanhando os desdobramentos pós-eleições, eu concluo o óbvio: estamos totalmente perdidos. O Brasil, aliás, – como eu dizia quando estava morando em Nova York – é um caso totalmente perdido. Os mais céticos vão perguntar: e por que não volta para lá? Se fosse simples assim, voltaria sem pensar duas vezes. Mas ainda tenho esperança de ter um emprego que faça jus ao que eu investi em estudos ao invés de trabalhar lá eternamente em outros empregos – que respeito, mas que simplesmente não são a minha praia. E por que tenho esperanças? Acho que porque sou completamente maluco em ter o mínimo de esperança nesse país.

Sobre o governo que está no país, não há o que comentar. É trágico. É triste. É desrespeitoso com qualquer sujeito dotado do mínimo de capacidade cognitiva e intelectual. Porém, e qual é a primeira alternativa para quem quer mudar? Os tucanos. E aí a situação piora. É incrível, mas o que pensamos não poder piorar, no caso do Brasil, piora. Vejamos a declaração do senador José Serra, que já foi candidato à presidência e é um dos principais nomes da “oposição” ao governo. Vejam o que ele falou no plenário do Senado: “A hora atividade, que é hora não trabalhada, é hora supostamente para preparação de aula. Que, no Brasil, dependia do Estado e do município. Pois o governo fixou o piso mínimo de 25%. São Paulo que era 20%, teve que passar para 25%. As prefeituras tiveram que contratar mais professores. Ou seja, professor da aula 40 horas fica em aula 30 horas e 10 horas são para preparar aula. E isso, quem paga? Estados e municípios”.

Muita calma nessa hora para não mandar o nobre senador – líder dos tucanos – para certos lugares. Mas, esse sujeito, que teve professores no jardim da infância, no ensino fundamental, no ensino médio, na universidade, esse jegue careca que está no Senado – mamando nas tetas dos cofres públicos SEM FAZER NADA -, enfim, esse asno acha que os seus professores chegavam em sala de aula e baixava uma entidade divina que “falava” no ouvido do professor o conteúdo o que ele ensinava em sala de aula??? 30 horas em sala de aula e 10 para preparar o conteúdo. E, no caso das escolas municipais e estaduais, para ganhar pouco. Ganhar 0,005 do que ele ganha para NÃO FAZER NADA. E esse sujeito, essa besta tucana, vem me dizer que é muito? Essa anta humana quer dizer que os professores ganham MUITO por terem dez horas para preparar TRINTA horas dentro de sala de aula??? Esse animal, que ganha como senador mais de 30 mil reais – além de todos os benefícios – para ir falar merda uma vez por semana no plenário tem a CARA DE PAU de criticar os professores – que ganham pouco, como outras classes que pagam o preço por corruptos como ele – e de dizer que eles ganham muito?? E pior: essa nulidade vestida de vampiro acéfalo ainda queria ser presidente do país?? E pior ainda: e tem gente que votaria nesse bastardo??? Por favor! Estamos perdidos! De um lado, a corrupção deslavada do PT e do governo. De outro, ideias absurdas e uma elite corrupta que insiste em sacrificar os profissionais das áreas básicas (saúde, educação e segurança) para terem dinheiro para mamar nas tetas do povo (vamos trocar o leite por esperma, e enfiarmos goela abaixo o que eles merecem).

Por favor! Me internem! Isso é demais pra mim! Quando vamos botar essas cabeças em bandeja em praça pública??? Teremos que voltar ao que foi a Europa séculos atrás para começarmos a andar pra frente.... Pela enésima vez: desisti. Pior que isso, só cinco isso. Ou, o Brasil.
 

Jornalista, mestre em Comunicação Social, assina coluna que circula nas quintas-feiras.

Email: eduritter@hotmail.com

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