Coluna de Eunísia Kilian

Goldemberg
04 de Novembro de 2013 às 09:19

Às vezes estamos em busca de algo novo para escrever, mas que esteja ligado à história de Santo Ângelo. Tempos atrás, no Arquivo Histórico Municipal Augusto César Pereira dos Santos o confrade Wilmar Campos Bindé comentou a visita em que o físico José Goldemberg realizou e sua ligação com Santo Ângelo.

O físico José Goldemberg nasceu em Santo Ângelo no dia 27 de maio de 1928. Em entrevista na Bioclima (Revista Virtual), relatou fatos sobre a nossa cidade e sua família. Imigrantes judeus que vieram da Rússia no começo do século, numa daquelas ondas de imigração anteriores à Primeira Guerra Mundial. Foi uma imigração por razões econômicas e não políticas. Era uma época em que o Barão Hirsch estava instalando colônias de judeus no Rio Grande do Sul e na Argentina, e seus pais e seus avós vieram nessa onda. Foram para uma cidadezinha pequena para serem agricultores, mas tornaram-se comerciantes. José Goldemberg nasceu nessa cidadezinha chamada Santo Ângelo. “Meus pais, olha, eles não eram casados quando eles vieram, eles vieram acho que na mesma leva de imigrantes. Residi em Santo Ângelo até cinco anos de idade”, conta.

José Goldemberg realizou o curso primário e secundário em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no renomado Colégio Estadual Júlio de Castilhos, onde sua vocação para ciências exatas foi claramente configurada. Influenciou esta inclinação o contato com professores do Colégio e membros de grupos positivistas, influentes na época no Rio Grande do Sul. Em 1946, veio para São Paulo estudar no Departamento de Química, durante 1 ano, e a seguir no Departamento de Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, principal centro de estudos científicos da época. Formou-se em 1950 tendo, mesmo antes desta data, trabalhado como bolsista do Prof. Marcello Damy de Souza Santos, a quem auxiliou na instalação do Acelerador Betatron na Cidade Universitária da Universidade de São Paulo.

Em 1951 foi como bolsista para o Canadá, onde realizou trabalhos experimentais que permitiram uma análise sistemática de reações fotonucleares (Publicação 1). A seguir, foi para a Universidade de Illinois, onde trabalhou com o Prof. Donald W. Kerst, inventor do Betatron e onde construiu o primeiro monocromador de fotons para a radiação de "bremsstrahlung" (Publicação 2). Regressou ao Brasil, em 1954, e obteve o grau de Doutor em Ciências Físicas e a seguir a Livre-Docência. Em 1962, regressou aos Estados Unidos para trabalhar na Universidade de Stanford com o Acelerador Linear, desenvolvendo uma nova técnica de medir momentos magnéticos dos núcleos e realizando estudos sistemáticos para um grande número de núcleos (Publicação 3). Regressando ao Brasil, em 1965, realizou concurso na Escola Politécnica, da qual se tornou Professor Catedrático de Física Experimental, modernizando o ensino de Física desta Escola. A partir de 1970, passou a ter responsabilidades administrativas como diretor do Instituto de Física, criado em 1969, cargo no qual permaneceu até 1978, ampliando consideravelmente suas atividades. A partir desta época, se tornou Presidente da Sociedade Brasileira de Física e a seguir da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, quando seus trabalhos científicos mudaram de rumo, dirigindo-se primeiro à energia nuclear e a seguir para a energia em geral. Produziu inúmeros trabalhos sobre o assunto. O mais importante deles é um livro intitulado "Energy for a Sustainable World" escrito com três colegas e publicado em 1988 que teve uma influência significativa nesta área de pesquisa.

No período de 1983 a 1986 dirigiu as empresas de energia do Estado de São Paulo e de 1986 a 1990 foi Reitor da USP. Como Reitor realizou uma reformulação dos seus Estatutos que permitisse a ela se manter como uma Universidade de bom nível. Negociou com sucesso com o Governo do Estado a concessão de autonomia financeira às Universidades do Estado de São Paulo. De 1990 até 1992 ocupou vários cargos no Governo Federal. Como secretário de Ciência e Tecnologia da Presidência da República modernizou a área de informática. Como secretário interino de Meio Ambiente, coube a ele conduzir a participação brasileira na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (Rio-1992). Como ministro da Educação preparou uma proposta ao Congresso Nacional dando autonomia efetiva às Universidades Federais.

Durante todos estes anos e até o presente continua realizando pesquisas na área de energia e escreveu em 1995 um novo livro intitulado "Energy and Environment in the Developing Countries" durante sua estada na Academia Internacional do Meio Ambiente, em Genebra.

Fonte: Academia Brasileira de Ciências.

Pedagoga, Especializada em História da Filosofia, membro do Conselho de Cultura, Patrimônio Histórico e Arquelógico de Santo Ângelo, integrante do Movimento Pró-Memória e da Academia Santo-angelense de Letras. Quinzenalmente, assina a coluna Memória.

Email: eunisiaineskilian@hotmail.com

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