Coluna de Eunísia Kilian

A Praça é nossa
14 de Dezembro de 2013 às 07:02

A praça Pinheiro Machado está entre as mais populares da cidade, sendo cúmplice com a majestosa Catedral, tornando-se um largo onde a comunidade se faz presente. Palco da solenidade de formandos do ensino superior, bem como onde o patriotismo é demonstrado na semana da Independência, através de discursos inflamados, contendo esperança, críticas e sonhos, na busca de alternativas para uma melhor cidade. Praça da comunidade, onde encontramos mendigos, cigana Milka, dos pastéis, churros, sorvetes, picolés, pipocas e algodão doce. Reveladora também dos namoros ocultos, da prostituta em busca de aventura e do homem e mulher acolhidos em sua solidão. A Praça Pinheiro Machado foi assim determinada pelo decreto nº6 de 11 de agosto de 1897.

Em busca de dados já realizados para o projeto da educação patrimonial encontramos algumas curiosidades sobre a praça Pinheiro Machado que a seguir serão elencadas:
- O Coronel Braulio Oliveira, na Lei Orçamentária para o exercício de 1905, dissertou sobre a praça Pinheiro Machado: "Esta praça continua a ser arborizada com capricho. Os claros que existiam entre os edifícios que dão para esta praça, foram tomados com grades sobre muros para ainda maior embelezamento da mesma praça."

- No ano de 1915, foram colocados cordões de pedra grês no quadro da praça, e esta praça estava provisoriamente fechada de arame nela com o objetivo de iniciar a plantação de árvores;
- O monumento a José Bonifácio de Andrade e Silva, o Patriarca da Independência, foi inaugurado na praça Pinheiro Machado, no dia 7 de setembro de 1922. Ficava plantado bem no centro da praça e cercado de arame. No decorrer do tempo, o monumento andou de lado para outro e foi parar finalmente em 1963, no cruzamento da avenida Getúlio Vargas com a Três de Outubro, em frente ao Colégio Verzeri. Atualmente, não se encontra exposto nas ruas de Santo Ângelo;

- A partir de 1932, a praça sofreu a sua primeira grande reforma no governo de Ulysses Rodrigues. O engenheiro José Carlos Medaglia, nomeado diretor de Obras e Viação, deu-lhe uma feição moderna. Os cinamomos substituíram os plátanos, riscou- se um novo traçado, calçaram-se com lajes de concreto as faces norte e leste, que dão para as ruas Antônio Manoel e Antunes Ribas. O espaço entre os canteiros foi ajardinado. Ocorreu mudança de uma estátua, também foram comprados materiais para a extinção de formigas e colocados 85 bancos.

Somente restou da antiga praça Pinheiro Machado o escrito na calçada em pedras de cores diferentes a seguinte frase: "Executado pelo Dr. J.C. Medaglia na administração do Dr. Ulysses Rodrigues – 1932." 

Fonte: Jornal das Missões

Pedagoga, Especializada em História da Filosofia, membro do Conselho de Cultura, Patrimônio Histórico e Arquelógico de Santo Ângelo, integrante do Movimento Pró-Memória e da Academia Santo-angelense de Letras. Quinzenalmente, assina a coluna Memória.

Email: eunisiaineskilian@hotmail.com

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