Coluna de Marcelo Blume

Como está a sua empregabilidade?
24 de Maio de 2016 às 09:21

Um dos resultados nefastos das crises política, econômica, de confiança, especulativa e cambial, é o impacto sobre o emprego. Vamos refletir hoje sobre alguns pontos que por vezes ficam esquecidos para quem se prepara para a seleção de uma nova vaga, para quem quer se manter no emprego e também para quem quer alcançar uma promoção na carreira.

Com mais gente a procura de emprego, quem está recrutando e selecionando tem mais candidatos qualificados para avaliar e escolher quem mais se encaixa no que a organização está precisando. Tempos atrás ouvíamos os responsáveis pelo recrutamento e seleção dizer que estavam pegando a “rapa do tacho”, ou seja, contratavam mesmo sem as condições necessárias e tentavam treinar e qualificar depois de contratados.

O volume de curriculuns que chegam com qualificação e experiência maior do que quem já está ocupando uma vaga é cada vez maior e os executivos passam a se perguntar se não é o caso de trocar algumas peças do seu time, que ainda não conseguiram alcançar a produtividade e o trabalho desejado.

Este cenário deveria fazer com que cada um de nós avaliasse algumas condições que vão além do curriculum. Por força das atividades profissionais tenho conversado seguidamente com pessoas responsáveis pelo recrutamento e seleção em empresas com números elevados de empregados. Seguidamente ouço relatos de profissionais com boa capacidade técnica e boa formação, não são selecionados para novas vagas e também não ascendem na carreira por terem dificuldades com a escrita, com a fala, com conhecimentos gerais, com a dificuldade em demonstrar atitudes positivas em relação a sua vida e pretensões da carreira, além de dificuldades em aprimorar o relacionamento em grupo.

É comum vermos pessoas se perguntando os motivos pelos quais não recebem uma promoção ou uma oportunidade que gostariam. Alguns atribuem a uma “perseguição” ou preconceito de quem seleciona, alegando que tem tal formação, tal experiência, dentre outros. Antes de culpar os outros, é sempre muito importante uma autoavaliação, com crítica as suas condições atuais. Questões como: Há quanto tempo você não faz um curso novo? Quando foi a última vez que você buscou uma nova habilidade profissional? Quanto tempo você está na mesma função? Quais foram as últimas melhorias nas quais você contribuiu para implantar e que geraram bons resultados para o local em que trabalha? A sua imagem pessoal representada pela limpeza e condição de cabelos, unhas, roupas, calçados, é condizente com a função que a organização precisa que você desempenha A sua escrita tem erros de ortografia, acentuação, pontuação e concordância? A sua fala tem forte sotaque e/ou tem erros como dificuldades no plural e singular, ou com os “erres”, muitas gírias, e outros? A forma com que você cumprimenta, pergunta e responde as outras pessoas é cordial, atenciosa e prestativa, demonstrando interesse, dedicação e compromisso com o bem estar no trabalho?

Nem todos percebem em si próprios as dificuldades que abordamos aqui e por isso, muitas vezes precisa-se do auxílio de um colega, um superior e até de profissionais. Há tantas opções de cursos e profissionais que auxiliam a melhorar a escrita, que não precisaríamos ver bons técnicos perderem oportunidades por fazerem textos, laudos, pareceres cheios de erros na forma de escrever. Há tantas oportunidades em qualificar a oralidade em cursos de dicção, desinibição e oratória, bem como no trabalho dos fonoaudiólogos, que não deveríamos ver tantas pessoas perderem oportunidades por dificuldades ao se expressar. Também há em vários locais, especialmente na internet e sem custo, lista de dicas de como cuidar da aparência no local de trabalho em diferentes funções, que não deveríamos mais ver pessoas que perdem vagas que gostariam, por cuidar mal de si mesmo. Por este motivo, antes de dizer que não tem oportunidades, analise tudo o que é oferecido e que você não aproveita e busque melhorar todos os aspectos da sua carreira.

Desejando uma melhoria contínua na empregabilidade dos amigos leitores, deixo um abraço e até a próxima!
 

Marcelo Blume é Administrador, Especialista em Marketing e Mestre em Engenharia de Produção. Professor da UNIJUÍ e convidado em diversas IES. Sócio e consultor da Referenda Consultoria. Palestrante, pesquisador e escritor, com artigos e livros publicados.

Email: marcelo.blume@referenda.com.br

Mais artigos de Marcelo Blume