Coluna de Marcelo Blume

O olhar e a percepção
31 de Janeiro de 2017 às 07:44

O modo de ver as coisas afeta diretamente a percepção de cada um de nós e esta, o conceito particular de tudo o que nos rodeia. Por isso, entendo que antes de alterarmos algo em nossas vidas, organizações, cidades, país, é preciso entender a percepção dos outros a respeito, pois muitas vezes se produz melhores resultados ao agir sobre a percepção, do que construir, reformar, comprar, reestruturar.

Quando olhamos para o que mais temos na vida, o que existe de positivo em nossa empresa, em nossa cidade, em nosso estado e país, podemos perceber que temos muito. Quando olhamos para o que não temos em nossa vida, o que falta em tudo ao nosso redor, ficamos com sensação de que falta muito em tudo. Ao focar no que conseguimos, no que temos de positivo, podemos ficar satisfeitos e gratos pelos resultados, enquanto que para quem foca no que não tem, mesmo o muito não é o bastante.

Gostar do que se tem, não significa acomodar-se na situação atual, mas estar estruturado para evoluir, desenvolver e poder criar mais coisas boas na vida. Trata-se de gostar e de valorizar o que se tem, ao invés de desejar o que não se tem. Friedrich Nietzsche, consagrado filósofo e escritor alemão lembrava que “Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo!”. Quem tem pouco e valoriza este pouco, está mesmo que inconscientemente se preparando para ser e ter muito mais. Quem não se dá conta disso vive, em diferentes escalas, aquela situação de só dar valor ao que tem ou tinha após perder.

Cada um de nós vive como percebe sua vida. Um homem do campo, que gosta da sua propriedade a percebe como o seu império, e o exemplo oposto é aquele milionário que não está satisfeito com o que já possui, percebendo um verdadeiro império como uma pequena propriedade onde faltaria muito. Fernando Pessoa lembra que “não possuímos mais que as nossas próprias sensações”. Temos do mundo, da vida, dos outros, do que está ao nosso redor, o que percebemos deles.

O modo como vemos e percebemos tudo ao nosso redor impacta diretamente no sentimento de felicidade. Thomas Hardy escreveu “A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso do que temos.” Acrescento que o mesmo conceito pode ser levado para nossa casa, nossa equipe de trabalho, nossos negócios. O sucesso depende mais do bom uso que fazemos dos talentos que temos. Um pequeno negócio, bem planejado, bem gerido, bem cuidado, por uma pequena equipe bem treinada e que ama o que faz, certamente gerará muito mais e melhores resultados do que uma grande estrutura, mal cuidada, com uma equipe numerosa, sem propósito e que sem compromisso.

A beleza, os valores e a natureza de uma pessoa podem ser observadas a partir do modo como ela vê o mundo. Podemos cultivar este modo de ver e perceber a vida e o que está ao nosso redor com nossa família, com nossos colegas de trabalho e amigos. Num meio em que mais gente valoriza o que tem, apaixonada pelas coisas ao seu redor, é sempre mais evidente a prosperidade, passando muito mais tranquilos pelas intempéries do ambiente externo.

Desejando uma melhoria de percepção a todos, um abraço e até a próxima!

Marcelo Blume é Administrador, Especialista em Marketing e Mestre em Engenharia de Produção. Professor da UNIJUÍ e convidado em diversas IES. Sócio e consultor da Referenda Consultoria. Palestrante, pesquisador e escritor, com artigos e livros publicados.

Email: marcelo.blume@referenda.com.br

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