Coluna de Marcelo Blume

Os do bem são maioria!
06 de Junho de 2017 às 09:00

Há tanta desesperança nos comentários pós noticiários que chegamos a temer pelo futuro. Infelizmente vivemos um momento em que “notícia ruim” não falta, mas também é verdade que notícia boa não vira manchete facilmente. As vidas e os feitos da maioria, que é do bem, segue chamando menos atenção, pois é pacata e raramente dá manchete ou “viraliza” em comentários e compartilhamentos.

As notícias de violência, terrorismo e corrupção realmente nos deixam desnorteados e nos perguntando se chegamos ao “fundo do poço”, mas passam-se alguns dias e descobrimos que no fundo do poço tem um alçapão. Se focarmos somente nos atos e fatos nas minorias que fazem malefícios, corremos o risco de paralizarmos. Para mais gente agir melhor, tenho convicção de que precisamos lembrar mais e de todas as formas, dos atos e fatos da maioria que é do bem.

A maioria das pessoas, inclusive os brasileiros (contrariando comentários  preconceituosos) não fura a fila, não depreda patrimônio, respeita os direitos do próximo, não passa em sinal fechado, é cordial, não é violento, não comete fraudes, não rouba, paga seus compromissos pontualmente, é sensível aos pedidos de auxílio, colabora com suas comunidades e quer deixar filhos melhores para o mundo.

Para cada terrorista disposto a matar quem não tem os mesmos hábitos que o grupo dele, há dezenas de pessoas para auxiliar sobreviventes e familiares das vítimas. Para cada político que desvia milhões de reais para criar uma fortuna maior do que a do bandido do outro partido, reduzindo recursos da saúde, da educação, da infra-estrutura, há dezenas de pessoas se mobilizando para doações de sangue, campanhas de arrecação de fundos, alimentos e materiais de limpeza, grupos doando equipamentos e recursos para manutenção, famílias fazendo mutirões de construção e reforma. Para cada estudante que cola na prova, copia textos de outros dizendo que são seus, há muitos outros querendo fazer mais do que o mínimo necessário para ser aprovado, fazendo mais do que a média e querendo ser alguém melhor para o mundo. Para cada servidor público tem má vontade pra atender, procrastina, pede ou aceita propina, não tem senso de economicidade, há muito mais servidores querendo solucionar problemas da população. Para cada empregado que não faz o que foi contratado para fazer, não tem produtividade, trabalhando contra a empresa e/ou o empregador, há muitos outros dedicados e gratos com o espaço e a oportunidade que tem. Para cada ladrão existem muitas pessoas que encontram e devolvem objetos perdidos sem violar o que encontraram. Para cada pessoa com o hábito de jogar lixo na rua há mais gente fazendo mutirões para limpar rios, nascentes, arrecadar lixo eletrônico, fazer campanha do agasalho, fazer companhia e contar histórias em hospitais e asilos. Para cada grupo disposto a depredar prédios, ônibus e equipamentos, pixar, riscar, quebrar, destruir o que é dos outros para extravasar seu instinto violento, deixando necessitados sem atendimento, há um grupo disposto a fazer mutirão para limpar, recuperar e repintar. Para cada grupo planejando e arrecadando recursos para invadir, destruir, corromper, ganhar o poder a qualquer custo, há milhares de pessoas nos templos pedindo perdão por seus atos e proteção divina para dias melhores.  

Os do bem são maioria, mas seus atos e fatos não viram notícia!

Será que poderíamos começar por nós? Conseguiríamos criar neste veículo de comunicação uma seção para destacar atos e fatos “do bem” e maior do que a seção policial? Teríamos mais dificuldades ou facilidades?

Depois de convencer o comitê editorial, a dificuldade seria encontrar conteúdo, ou patrocínio para esta nova seção? Se promover o bem não fizer parte de nossa missão, o que seria mais importante? Gente do bem, busca fazer o bem, não busca notoriedade! Porém, sabemos que os exemplos e os hábitos da maioria arrastam multidões. Os terroristas, os ladrões, os corruptos, os que destroem o limitado patrimônio de uso público, por sua vez, sempre buscam notoriedade, seja individualmente ou em grupo. Vamos focar nossas atenções, nossos comentários, nossas manchetes, nossos conceitos em que tipo de atos e fatos?

Eu acredito e testemunho a minha volta, que os do bem são maioria!

Um abraço, força, fé e até a próxima!

Marcelo Blume é Administrador, Especialista em Marketing e Mestre em Engenharia de Produção. Professor da UNIJUÍ e convidado em diversas IES. Sócio e consultor da Referenda Consultoria. Palestrante, pesquisador e escritor, com artigos e livros publicados.

Email: marcelo.blume@referenda.com.br

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