Coluna de Oscar Pinto Jung

São Sepé Tiaraju?
10 de Novembro de 2015 às 08:00

O escritor Alcy Cheuiche lidera campanha em prol da canonização do índio Sepé Tiaraju, de marcante trajetória nas reduções missioneiras. Para tanto, o escritor tem proferido palestras no Brasil e no exterior. Em texto recente na Zero Hora, Cheuiche recorda pergunta que lhe fez um professor, na cidade de Hannover, em 1997, e a resposta dada:

- É verdade que existe no Brasil uma cidade com o nome de São Sepé?

- Sim.   

- E como os padres católicos encaram um santo que não foi santificado?

A resposta do escritor certamente não convenceu o professor alemão, pois se limitou a dizer que os padres de São Sepé rezam para que o sonho um dia se transforme em realidade. Pelo que sei não basta rezar para que alguém seja considerado santo pela Igreja Católica. O processo é bem rigoroso e exige provas de que o candidato realmente tenha interferido em favor de algum ser humano, especialmente na área da saúde. Nesse sentido, o Cheuiche não traz nenhum fato que possa alicerçar a instauração de processo no Vaticano. Será que existe algum dito milagre do índio miguelino? Se existe, melhor, mas é bom contar.

Aqui na Região Missioneira quem tem lutado pela mesma causa é o José Roberto de Oliveira, com atuação na administração pública de São Miguel das Missões. Outro dia, o José Roberto me perguntou se nas casas espíritas Sepé Tiaraju é lembrado entre os mentores protetores. Que eu saiba não, mas é evidente que o espírito de Sepé Tiaraju merece respeito de todos nós, não só pelo papel desempenhado nas reduções jesuíticas, mas também pelo grau evolutivo que apresenta na vida espiritual. A propósito, vale lembrar episódio significativo contado pelo médium Divaldo Pereira Franco quando esteve em Santo Ângelo pela primeira vez, isso na década de 70.

Logo na entrada da minha residência havia um belo quadro com a figura de Sepé montado em cavalo e com uma lança na mão direita, quadro hoje na posse da veterinária Alessandra Jung. Ao entrar no prédio 807 da Rua Marquês do Herval, o médium baiano parou e admirou o trabalho da artista santo-angelense que, infelizmente, não recordo o nome. Em seguida, contou para todos nós:

- Quando cheguei ao apartamento do hotel em Santa Maria tive uma agradável surpresa: em meio a um clarão de luz surgiu o espírito de um índio, que se apresentou para mim como Sepé Tiaraju. Eu nada sabia sobre o índio.  Ele me deu boas vindas à Região Missioneira que visitaria no dia seguinte e me fez um resumo da epopeia vivida por aqui. Eu sabia muito pouco sobre os Sete Povos das Missões e fiquei encantado com os comentários do espírito Sepé Tiaraju. Ele é realmente um espírito de luz.

Não sei se o papel desempenhado por Sepé, embora a sua inegável importância, seja capaz por si só de convencer a comissão do Vaticano para deferir a canonização do bravo índio miguelino. Acredito que é indispensável a juntada de fatos comprobatórios de que através dele alguém tenha sido claramente beneficiado em alguma causa. Sem essa prova...

A FRASE DO CHICO XAVIER, curtida por Gladis Maria Dornelles de Bittencourt: “Se nós não estivermos bem com nosso íntimo, estaremos mal em qualquer lugar”.
 

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

Mais artigos de Oscar Pinto Jung