Coluna de Oscar Pinto Jung

A vozinha não morreu
17 de Novembro de 2015 às 09:00

Nada mais consolador do que saber que o ente querido não morreu e sim continua mais vivo do que nunca no plano espiritual. Aí cessa a revolta da pessoa inconformada. A saudade continua, é claro, mas sem brigas com Deus. E até começa uma lenta reforma íntima, com a substituição de tendências negativas por atitudes positivas. Afinal de contas, é bom voltar para o outro lado da vida com algum progresso interior. Caso contrário, o espírito não aproveitou a oportunidade reencarnatória e continuará voltando inúmeras vezes no objetivo maior do resgate de dívidas cármicas.

A leitora Carla Fabiana sabe que sua amada mãe está mais viva do que nunca e é confortador o relato que nos faz:

- Eu sempre acreditei na continuação da vida no Plano Espiritual. Sempre acreditei que o corpo físico morre, mas o espírito continua vivo. Hoje está fazendo três semanas do falecimento de minha amada e abençoada mãezinha. Desde aquele dia meu filhinho andava sempre triste e um pouco revoltado sempre que pensava ou falava na vozinha. Mas, hoje, pela primeira vez, ele acordou bem cedo com um brilho nos olhos e um sorriso lindo. Ele falou que está muito feliz porque sonhou com a vozinha, sonho bem nítido, bem real. Ele falou que a minha mãe está muito viva e saudável, agora ele sabe que a vozinha não morreu. O menino contou que viu toda a nossa família orando por ela e ela, radiante, abraçava e beijava o seu rosto, carinhos que ele retribuía. Não sentia o corpo dela, é claro, mas  guardou perfeitamente as palavras dela:

- Que abraço gostoso, negrinho!

Continua a Carla Fabiana:

- Eu me emocionei com o relato do menino, porque acredito que eles realmente se encontraram no outro lado da vida, como acontece nos sonhos. Na mesma noite, por incrível que pareça, sonhei com toda a nossa família num templo religioso, justamente orando por minha mãezinha, que apenas nos observava.

O médium Divaldo Franco, aos quatro anos de idade, via coisas que os outros meninos de Feira de Santana não viam. Ele disse para o jornalista Gustavo Foster que, em 1944, morreu um irmão e ele teve um choque muito grande. Uma senhora lhe aplicou um passe (imposição de mãos) e disse que ele estava sob ação do próprio irmão desencarnado. Soava absurdo porque a família era católica. O Divaldo estava no desabrochar das forças mediúnicas e o irmão, ainda perturbado pela desencarnação, trouxe suas angústias e aconselhou que ele precisava frequentar uma casa espírita.

Mas, enfim, são muitos os caminhos que nos levam a entender que o fenômeno morte atinge o corpo físico do ser humano, mas só o corpo físico. Quem entender essa realidade pelo amor e não pela dor estará preparado para enfrentar qualquer desencarnação de um ente querido, em melhores condições de outro que ignora assunto de tamanha importância.

A FRASE DO CHICO XAVIER
, curtida por Liria Maria Fonseca: “A vida por fora de nós é a imagem do que somos por dentro”.
 

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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