Coluna de Oscar Pinto Jung

Anjo da Guarda
05 de Janeiro de 2016 às 08:00

Tanto a Igreja Católica como a Doutrina Espírita ensinam que todos nós temos um Anjo da Guarda (na linguagem católica) ou um Espírito Protetor (na linguagem espírita). Trata-se de um espírito mais evoluído do que nós e que nos acompanha desde o nosso nascimento. Além do Anjo da Guarda, temos guias espirituais, menos evoluídos, mas também importantes em nossas vidas, pelas intuições que nos transmitem, aquelas boas ideias que chamamos de ideias luminosas. E pensamos que são nossas... É o escritor que recebe o texto praticamente pronto. É o músico inspirado...

Os católicos aprendem desde a infância a orar pelo “anjinho protetor, meu zeloso guardador”. Os espíritas também têm preces para pedir a força de resistir às más sugestões, e a assistência do Espírito Protetor nas turbulências da vida terrena. O trecho final de uma dessas preces diz assim: “Vós, sobretudo, meu anjo guardião, que velais mais particularmente por mim, e vós todos Espíritos protetores que vos interessais por mim, fazei com que me torne digno da vossa benevolência. Conheceis as minhas necessidades, que elas sejam satisfeitas segundo a vontade de Deus”.

O Anjo da Guarda pode também intervir na vida física em nosso favor. Pode interferir na vida material.  O amigo Luiz Nicola dá exemplo disso. Ele me conta que servia na Guarnição Militar de São Carlos (SP) e tinha o Roque como um dos colegas de “república”. O Roque era católico fervoroso, egresso de seminário. Certa vez, numa folga, eles viajaram numa perua Variant, do amigo, a Franca. No retorno, pelas duas da madrugada, com chuva, o Nicola notou, em dado momento, que o Roque dirigia com sono e corria muito. O Nicola entrou em pânico quando viu adiante  cavalos na pista e tratou de chamar a atenção do amigo com muito cuidado.

Desperto, o motorista se assustou, deu uma freada, a colisão com os animais, parecia inevitável. Mas, os cavalos, assustados, correram pela pista de rolamento e escaparam da batida. A Variant parou atravessada na pista, após muitos balanços. Recuperado do susto, emocionado, o Roque passou a direção do veículo e os amigos voltaram tranquilamente para São Carlos. Então, o Nicola revelou ao amigo ainda abalado pelo tremendo susto  a providencial intervenção do Anjo da Guarda:

- Logo que você pisou no freio com muita força e a Variant voou para o acostamento, eu senti que nossa hora de morrer tinha chegado. Nesse exato momento mão forte tocou no meu ombro e me disse: “fique tranquilo, que nada lhe acontecerá. Sou o seu Anjo da Guarda e estou aqui para lhe proteger”.

No dia seguinte, o Nicola recebeu no quartel a visita do Roque e do Bispo de São Carlos. Este quis ouvir ao vivo o relato do Nicola, que lhe fora antecipado pelo ex-seminarista, hoje Delegado de Polícia no interior paulista. Em razão da idoneidade dos participantes do inusitado episódio o Bispo deu como autêntica a interferência do Anjo da Guarda do Nicola. Os céticos não acreditarão, é claro, nesse episódio, mas há muita gente por aí com histórias parecidas para contar.

A FRASE DE ALLAN KARDEC, curtida por Alfieri Pacussich: “O apego às coisas materiais e um sinal de inferioridade, porque quanto mais o homem se prende aos bens do mundo, menos compreende a sua destinação”.

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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