Coluna de Oscar Pinto Jung

Saudade do lar
19 de Janeiro de 2016 às 06:01

Há espíritos que, na vida terrena, jamais quiseram pensar para onde voltariam, um dia, esgotado o tempo no planeta. Eis que, de repente, abandonam o corpo físico e, perplexos, querem o retorno ao antigo lar. Eles demoram a perceber a grande transformação. A decepção é muito grande: os familiares não o veem e não escutam os seus apelos, embora desesperados. Muitos sentem saudades não só dos familiares, como também de objetos pessoais, da cadeira de balanço, do cachorro de estimação... Nicole Kidman é a principal protagonista de filme em que mãe e filhos, embora desencarnados, continuavam dentro do antigo lar, se recusando a sair dali, vivendo como se não tivessem falecido.

Amiga santo-angelense casou aqui e foi embora para a Capital do Estado. Nunca mais a vi. Mas a ferramenta poderosa da rede social nos reaproximou, virtualmente. Agora viúva, essa amiga sente muita falta do companheiro de vivência em comum por várias décadas. O companheiro também sente muita falta dela, é evidente,  e pelo que ela me conta, ele tem visitado muito o antigo lar. Com certeza, ainda não se adaptou ao mundo espiritual. Agora recebi relato emocionante da amiga, a seguir transcrito:

- Amanhã está fazendo seis meses do falecimento do meu amado esposo. Fomos casados por 58 anos, em plena harmonia. Outro dia, acordei de madrugada me sentindo apertada. Então percebi que ele estava comigo e me abraçando fortemente. Isso é possível?

Ademais, eu sinto a presença dele todos os dias dentro de casa. Muitas vezes eu me viro para o sofá, onde ele costumava sentar, e parece que ele está ali esperando que eu diga alguma coisa, que eu faça algum comentário. No final da vida terrena do meu marido, ele já não conseguia ler o jornal, di/ariamente, como era do seu costume. Então, eu lia e comentava com ele os assuntos principais. Ele era uma pessoa boníssima e só me fez feliz em quase seis décadas de casamento.

O depoimento da amiga residente em Porto Alegre não tem nada de inédito. Muitos leitores da coluna sabem, com certeza, de situações semelhantes com familiares ou amigos. A remetente, diga-se de passagem, não é espírita, não costuma ler livros espíritas, não é pessoa sugestionável. Ao contrário, pessoa de bom nível cultural, experimentando, talvez pela primeira vez, a sensação de sentir a presença de alguém muito querido que trocou a roupagem carnal pela veste espiritual.

Antes do término da nossa etapa terrena é oportuno que se busque respostas convincentes, apoiadas na lógica e no bom senso, sobre as grandes interrogações que afligem (ou devem afligir) as nossas mentes: onde eu estava antes do nascimento? O que estou fazendo por aqui (qual a finalidade da vida física?) e para onde retornarei um dia? Não é bom sair daqui sem tais esclarecimentos necessários. O conhecimento é importante cá e lá.

A FRASE DO ESPÍRITO ANDRÉ LUIZ, psicografada pelo médium Chico Xavier, curtida por Maria Frey: “Nunca se esqueça de que todas as vantagens ou benefícios que desfrutemos da vida são empréstimos de Deus”.
 

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

Mais artigos de Oscar Pinto Jung