Coluna de Oscar Pinto Jung

Do cotidiano santo-angelense
28 de Junho de 2016 às 10:00

O inverno é a época que leva crianças e idosos às clínicas médicas e hospitais, em proporções maiores, em virtude das doenças típicas da estação. O mais antigo pediatra da cidade Dr.Luiz Carlos Flores (tratou de todos os meus filhos, da infância à adolescência), muito respeitado, aliás, recomenda que a criança deve tomar bastante líquido para melhor expectorar. Por quê? O médico esclarece:

- Muitas pessoas ficam preocupadas com a tosse no caso de doença respiratória, mas ela é benéfica e ajuda a expectorar o catarro. Eu sempre brinco que o diabo inventou o catarro e Deus a tosse.

Em Santo Ângelo, como em todo o Brasil, ninguém mais aguenta ouvir, diariamente, notícias de roubos dos cofres públicos. Em décadas passadas, também havia negócios mal explicados. Então se falava em negociatas. Que aconteciam, não em nível elevado, alarmante, como agora, em que todo santo dia vem a revelação de outras negociatas. O genial humorista Millôr Fernandes mantinha uma página semanal na revista “O Cruzeiro”. Certa vez, ele escreveu, com toda a ironia do mundo:

- Negociata é um bom negócio para o qual nós não fomos convidados.

A palavra negociata parece que foi suprimida do dicionário e em seu lugar entrou com toda força a palavra propina. Propina rende manchete diária nos jornais. O Procurador Federal Deltan Dallagnol, citado pelo colunista Flávio Tavares, resume tudo em poucas palavras:

- A corrupção é assassina sorrateira, invisível e disfarçada.

Os corruptos e corruptores são cidadãos ricos, alguns muito ricos, belos proventos de aposentadoria, donos de mansões cinematográficas. Todos movidos pela ambição.  Nenhum é aposentado pelo INSS. Quando flagrados, todos têm a mesma resposta:

- Estou indignado com as acusações!

Enquanto isso, num arrabalde santo-angelense, noite gélida, o relógio batia quatro horas. Madrugada de renguear cusco, o seu Machado foi acordado com repetidas pancadas na porta. Preocupado, arredou as cobertas e foi conferir o que sucedia. Porta entreaberta, viu o Juca, com um galo embaixo do braço, surripiado de galinheiro alheio:

- Vizinho, estou vendendo o galo, só por cinco paus...

Outro Juca em outro dia foi acusado pelo Ministério Público de ter levado, “por engano”, um porco gordo da vizinhança. A reação do Juca também foi de indignação como os que pegaram propina de milhões de reais:

- Não, seu Doutor, pura mentira, não sou de pegar coisas dos outros! Pra falar a verdade, eu nem como carne de porco, me faz mal.

A FRASE DO ESPÍRITO EMMANUEL
, pelo lápis do Chico Xavier: “Educa a inteligência e atingirás a sabedoria. Educa as mãos e acentuarás a competência. Educa a palavra e colherás simpatia e cooperação. Educa o pensamento e conquistarás a ti mesmo”.
 

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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