Coluna de Oscar Pinto Jung

Mistério na África do Sul
21 de Julho de 2016 às 08:30

As advogadas Odila de Mélo e Isabel Cristina Duarte pegaram o primeiro avião e partiram para a África do Sul, em viagem de turismo. Conheceram a casa do Nelson Mandela sob intensa emoção e participaram de arriscadas aventuras de safári. Enfrentar leões e tigres não é brinquedo.  Mas, pior que isso, o imprevisto – que não estava no programa, é claro – aconteceu com a filha do amigo Henrique Gonçalves de Melo. A Odila vivenciou experiência que eu já vivenciei: o inexplicável desaparecimento (desmaterialização) de um objeto. Assim conta o recado eletrônico por ela enviado:

- Em um hotel em que estávamos em Kapama (pequena cidade do interior africano), perdi no banheiro uma lente de contato quando a estava colocando no olho. Procurei minuciosamente pela pia, pelo chão, em todos os possíveis lugares, o mesmo fazendo minha colega Isabel, com quem estou viajando. Enfim, dei por perdida a lente e passei a usar os óculos em caso de necessidade. Ocorre, amigo, que há pouco, no hotel de Johanesburgo onde estamos desde ontem, apareceu a minha lente no piso do banheiro! Ela que é gelatinosa estava bem firme, desidratada. Peguei-a e mostrei para a Isabel que, como eu, não entendia como ela veio parar ali, num banheiro que havia sido limpo hoje pela manhã pelas camareiras e HÁ UNS 300 QUILÔMETROS (grifei) do local onde a perdi. Seria uma materialização da minha lente que, claro, estava fazendo-me falta? Eu a deixei em repouso no produto para hidratação e higienização e pus no olho para testar.

- Deu certo?

- Sim, é o meu grau, a minha lente mas que, como ficou muito tempo fora do optic free para conservação, acabou rompendo-se. Tenho para mim que, ou ocorreu um fenômeno de materialização pela intensidade do quanto dela eu precisava ou então poderia ser um benfeitor querendo auxiliar-me ou querendo dar algum recado subliminar. Help me, please! (Ajude-me, por favor) Usei o Inglês em homenagem ao único idioma que se fala na África do Sul.

No meu recente livro de crônicas “Um Risco de Luz” contei o desaparecimento da minha aliança de uma hora para outra sem que tivesse notado. Como a Odila fez com a lente de contato, eu procurei minha aliança em todos os lugares possíveis. Mais de um mês depois encontrei a aliança no bolso esquerdo do meu casaco quando a Vera e eu nos preparávamos para cerimônia de casamento na cidade de Jundiaí (SP). Quando notei a falta da aliança eu estava voltando do meu costumeiro exercício de Pilates, onde ninguém vai de casaco...

Não tenho a explicação exata dos dois casos, mas a interferência dos desencarnados em nossa vida terrena é assunto pacífico para quem pesquisa a fenomenologia mediúnica. Para mim, houve primeiramente a desmaterialização da aliança e da lente de contato, sem que a gente percebesse. Depois, a materialização dos mesmos objetos. Qual a finalidade? Talvez para jamais duvidarmos de que a vida não cessa nunca. Talvez por pura brincadeira. Brincalhões existem aqui e no outro lado da vida.

A FRASE DO CHICO XAVIER, curtida por Adriane Belmonte Kaipper: “Enquanto não formos saudáveis espiritualmente, precisaremos de medicina frequentemente”.
 

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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