Coluna de Oscar Pinto Jung

Reencontro feliz
04 de Outubro de 2016 às 08:00

José Antônio Guimarães, o Guima, reside em Gravataí, como o amigo santo-angelense Santos Alberto Rebelato Júnior. Muito conceituado, o Guima é alguém de sensibilidade apurada e de constante preocupação em ser útil aos semelhantes. O relato dele, a seguir, é testemunho emocionante de um reencontro feliz com os pais desencarnados.Sonho assim é um refrigério para todos os participantes nos dois lados da vida: Eis o que nos diz o caro amigo Guima:
 
- Seguidamente tenho “sonhado” com meus pais, principalmente com meu pai, que é com quem eu possuía mais afinidades, digamos assim! Ele desencarnou em 2004, dormindo, após anos de um enfisema pulmonar – fumou por 40 anos. Minha mãe, desencarnou em 2006, pois não suportou a ausência de meu pai – sua “alma gêmea” -, depois de 44 anos de casados! A apatia de tal modo a abateu, transformou-se em uma depressão, que, perdendo a vontade de viver, definhou até a morte! Então, passado um certo tempo, uns três ou quatro anos, tive um primeiro encontro com meus pais; ele, mais ativo, melhor recuperado, pois tinha simpatia pela doutrina espírita, embora, com ela, nos últimos anos de vida, tenha se convertido à religião evangélica. Ela, no entanto, em que pese ser uma pessoa maravilhosa, como nos são as mães, não tinha noção de religião, pois era analfabeta. Trabalhara na roça até casar, aos 26 anos, ajudando a cuidar dos irmãos menores, em número de 15, não tendo por isso, permissão de meu avô para os estudos. Meu avô era do tipo antigo, autocrata, alcoólatra, e que, inclusive, costumava botar para fora de casa minha avó, que, não raro, pernoitava no mato, por medo de retornar para casa. Ela, por volta dos 50 anos, desencarnando depois de um acidente doméstico, ou seja, teve um ataque epiléptico, caindo em cima do fogão a lenha, queimando-se toda! Por isso, desde pequenos, eu e meu irmão (dois anos mais novo) acostumamo-nos com os ataques epilépticos de minha mãe. Nos primeiros encontros, no astral, percebi que minha mãe ainda não estava totalmente recuperada, mas encontrava-se sob os cuidados de meu pai. Em razão de meu descontrole emocional, pela imensa saudade, eu não conseguia aproximar-me deles, a ponto de abraçá-los, mas via que meu pai, pelo menos, sorria e me abanava. Assim, sucederam-se alguns encontros, até o de ontem, onde, eu, me controlando um pouco mais, até pela disciplina mental, e por ter consciência de que tal encontro era real, como reais são as nossas relações com os desencarnados, tive momentos de extrema felicidade, por permanecer com eles por algumas horas, na casa deles – uma casa de alvenaria, bem pintada, de azul ou verde, não recordo, com flores plantadas na frente, em um carreiro de terra, como o era na casa deles, aqui, neste plano que, até hoje, não tive coragem de visitar. Está ocupada pela família de meu irmão! Só estive na frente da casa, na rua, por umas três vezes nesses anos todos! Mesmo agora, escrevendo, sou acometido de uma forte vontade de chorar, porque, eles, em termos de pai e mãe, eram tudo o que eu podia querer! Inclusive, se Deus me tivesse permitido escolher um pai e uma mãe ao meu gosto, eu teria errado 100%, porque eles foram indescritíveis! Então, é natural que eu tenha tido, até então, e ainda tenho, dificuldades para me aproximar deles! Se a simples menção de seus nomes me faz chorar com uma criança, imagine o senhor eu estar na frente deles, poder abraçá-los e lhes dizer o quanto eu sinto a falta deles? Mas não é choro de tristeza, que fique bem claro, é de saudade, mas, acima de tudo, de agradecimento a Deus, pelos pais que me deu! Mas perceba o paradoxo: eu nunca compareci a uma Casa Espírita, seja aquela onde trabalho e/ou a qualquer outra, com o intuito de receber mensagens deles! Por que isso? Porque, sabemos, eu e o senhor, que não necessito disso para saber da situação espiritual de ambos! Deus é Justo e Perfeito!

A PALAVRA DO CHICO XAVIER, curtida por Magui Schlick: “Para os dias bons, gratidão. Para os dias difíceis, fé. Para os dias de saudade, tempo. Para todos os dias, coragem”.

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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