Coluna de Oscar Pinto Jung

Reencontros
01 de Novembro de 2016 às 08:05

Os reencontros com familiares desencarnados são inesquecíveis. Infelizmente, não podem ser filmados. Quem sonhou garante a veracidade do reencontro. Quem escuta o relato, acredita ou não. Depende de quem conta e de quem escuta. Eu acredito na médica veterinária Alessandra Medeiros Jung. Por ser minha filha e por ser pessoa digna de credibilidade. Outro dia, ela me contou o reencontro que teve com Marcelo Medeiros Jung, desencarnado com 19 anos em acidente de trânsito em Curitiba. Há uma semana, o topógrafo Mauro Camargo me contou façanha deles, molecagem típica da idade (mais dois colegas de aula no Marista), todos adolescentes:

- Vocês tinham viajado e o Marcelo nos convidou pra conversar na Marquês do Herval, 807, casa de vocês. Nós quatro (um deles é o atual dono do Hotel Nova Esperança) brincamos, dançamos ao som de músicas da época e bebemos o resto que tinha da sua garrafa de uísque... Não sobrou nenhuma gota...

Pois, a Alessandra teve comprovação de que a morte não existe. Os dois se gostavam muito, como idêntico era também o relacionamento com o André Luís. O Marcelo, muito divertido e caloroso, carregava no colo a Alessandra e a vizinha Marjorie (atual Bier Corrêa). Mas foi assim o sonho da Alessandra:

- No início de junho tive um reencontro com o Marcelo através do sonho. Foi bastante real e “palpável”. Estávamos numa sala: ele, a mãe, eu e mais alguém que não vi, só senti a presença. O Marcelo estava rodeado de uma luz amarela/dourada e nós nos abraçamos bem forte (bem do jeito dele, o abraço era o legítimo quebra-costelas). Coloquei as mãos ao redor da cabeça dele e falei para a mãe:

- Olha! É o Marcelo! Tá vendo? Ele está aqui. Olha aqui a cara dele.

O Marcelo ria muito (bem do jeito dele) do meu alvoroço. A mãe não via nada enquanto eu berrava faceira, tentando mostrar a ela que o Marcelo estava ali.

Espero que o sonho da Alessandra com o Marcelo sirva para consolar muitos que ainda se mostram tristes, desanimados, com a passagem de algum familiar para a Vida Espiritual. Na suposição, inclusive, de que nunca mais verá o ente querido.  E, especialmente, traga consolação e otimismo para a Elisiane, muito abalada, que me conta:

- Perdi minha mãe há dois meses. Não tenho mais vontade de viver.

A vida continua, Elisiane, nada de prostração. Não existem finados. Deus não é punitivo. Nunca deixamos de viver, seja com o corpo denso da carne, seja com a vestimenta sutil do espírito. Para os nossos familiares desencarnados, mais vivos do que nós, vamos pedir Luz, muita Luz, como costuma dizer o poeta José Dirceu Dutra, do solo histórico de São Miguel das Missões.

A FRASE DO CHICO XAVIER, curtida por Tânia Hintz: “Nada nesta vida é por acaso, absolutamente nada. Por isso, temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, da melhor forma possível. A vida nem sempre segue a nossa vontade, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser”.

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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