Coluna de Oscar Pinto Jung

Canonização de Sepé Tiaraju
14 de Março de 2017 às 09:00

O Irmão Marista Antonio Cechin chamou a si a campanha de canonizar o índio missioneiro Sepé Tiaraju, cantado em prosa e verso em todo o Estado, pelo papel que desempenhou nas reduções jesuíticas. Se existe o município de São Sepé por que a Igreja Católica não faz a proclamação oficial? É a pergunta que muitos repetem há tanto tempo.  O Irmão Cechin deixou o mundo físico e não viu resultado nenhum em seus propósitos. O clero gaúcho nunca deu apoio ostensivo à campanha do Irmão Marista, mas o assunto continua vivo graças ao empenho do Frei Luiz Carlos Susin e do santo-angelense José Roberto de Oliveira, um entusiasta pela causa e pela história da ousada experiência nos 7 Povos, tal como Manoelito de Ornellas,  Alcy Cheuiche, Ruy Rubem Ruschel, Mário Simon e outros.

Susin e José Roberto ligaram-se ao Bispo Dom Gílio, de Bagé, o único bispo negro do Rio Grande do Sul, e dele obtiveram o apoio necessário para levar o pleito ao setor competente do Vaticano. No dia 10 de fevereiro de 2017, justamente no dia em que há 261 anos aconteceu o massacre de 1500 guaranis na batalha de Caiboaté, o processo, pelas mãos de Dom Gílio, chegou a Roma para iniciar longa tramitação burocrática, tradicionalmente onerosa e sem prazo para a sentença definitiva. O que se sabe é que a Igreja exige provas robustas para entronizar em seus altares o candidato indicado à santidade. A veneração popular é uma coisa e a interferência do espírito em favor de algum doente, por exemplo, é outra coisa. Talvez esteja aí a maior dificuldade para a canonização de Sepé Tiaraju. Sinceramente, nunca ouvi falar em algum “milagre” atribuído ao líder indígena de São Migul das Missões.

Mas tenho conhecimento de que Sepé é um espírito de muita Luz. Não esqueço o relato impressionante feito pelo médium baiano Divaldo Pereira Franco sobre o encontro que teve com Sepé em hotel de Santa Maria. Divaldo pouco sabia sobre as reduções e desconhecia a figura do índio bem como o papel por ele desempenhado. Era a primeira vez que o médium iria visitar a Região Missioneira (novembro de 1976). Assim que Divaldo ingressou no apartamento para o repouso noturno, eis que surge em meio a um clarão de luz a figura de um índio robusto que lhe deu boas-vindas. Em seguida, o médium ouviu uma aula sobre a história missioneira e como o sonho acabou tão tragicamente. Sepé contou que ainda hoje há alguns padres e índios inconformados junto às ruínas da Catedral miguelina. Eles se recusam terminantemente a abandonar a igreja.

Enquanto isso, Sepé Tiaraju voltará a ser debatido em livros, conclaves, palestras e conversas infindáveis. Muitos dirão que Sepé merece ser canonizado, outros não concordarão. Algo parecido com a história e canonização de Joana d’Arc? Restará apenas o povo de São Sepé homenageando alguém que não é considerado santo? Indiferente a todas as polêmicas, a professora Leda Dornelles de Moraes, que lecionou durante muitos anos no Colégio Estadual Onofre Pires, tem opinião definitiva:

- Para mim, Sepé Tiaraju já é um Santo, independente de ser canonizado ou não. Ele é um espírito superior, a quem peço ajuda nos momentos difíceis. E ele jamais falha.

A PALAVRA DO ESPÍRITO ANDRÉ LUIZ, pelo lápis do Chico Xavier: “Acendei vossas luzes antes de atravessar a grande sombra. Buscai a verdade, antes que a verdade vos surpreenda. Suai agora para não chorardes depois”.

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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