Coluna de Oscar Pinto Jung

Havia Oliveiras no Parque
28 de Março de 2017 às 09:00

Deu na mídia que investidores de outros Estados e estrangeiros estão apostando no cultivo de oliveiras no Rio Grande do Sul. Há plantio em vários municípios gaúchos, mas nada em Santo Ângelo, onde temos o Parque das Oliveiras. Na década de 1960, Volkmar August Schüür, sócio com o Edgar Krug, da Casa das Tintas, teve ideia arrojada e reuniu seguidores: o plantio de oliveiras neste solo missioneiro. Ele sustentava que “plantar oliveiras dá muito mais”. Então surgiu o Parque das Oliveiras, com muitos investidores locais e de outros municípios. Segundo o Vander Moreira da Rosa, as oliveiras até se desenvolveram em lotes de 36 por 150 metros quadrados, mas as nossas condições climáticas não ajudaram e ninguém colheu azeitonas, para tristeza geral da comunidade.

Na década de 1970, a capoeira tomou conta dos lotes, os últimos pés de oliveira foram arrancados e as lavouras de soja dominaram a área, como se espalharam por todo o Estado. O sonho do Schüür tinha acabado, infelizmente. Será que hoje ainda existe algum pé de oliveira no Parque das Oliveiras? Não, nenhum. Segundo a professora Irene e o Marcelo Schnepfleitner, antigos frequentadores do Parque, só existe um pé, porém, nas imediações, na frente da residência do Paulo Tissot. Muito dinâmico, o Schüür presidiu o Clube 28 de Maio, numa das melhores fases da entidade. As promoções do 28 alcançavam grande repercussão na sociedade santo-angelense.

Num domingo de manhã, encontrei o Valdir Narciso Hommerding, o Chico, na prosa tradicional com o Orlando Bao. Este tem padaria há cinquenta anos e o Chico mantém churrascaria há cinquenta e dois anos. São os decanos nas respectivas atividades em nosso solo missioneiro. Quando voltei pra casa eu me lembrei que o pai do Chico, Narciso Hommerding, teve churrascaria na Rua Marechal Floriano, perto dos Bombeiros. A mesma churrascaria depois comandada pelo Faldino Siede. E me lembrei também que o velho Narciso teve linha de ônibus urbano, era o ônibus da cidade, como se dizia. No dia seguinte, passei na Bodeguita do Chico, e a esposa dele me mostrou fotos:

- Sim, isso aconteceu no ano de 1956. O seu Narciso também usava o ônibus para excursões de estudantes ou turísticas.

Confesso que fiquei intrigado sobre a primeira linha de ônibus pelas ruas da Capital das Missões e ainda estou. O trajeto se limitava às ruas centrais da cidade, não ia aos poucos bairros, poucos passageiros. Eu me recordo que a Hilda Debacco era cobradora do ônibus, paguei passagens para ela. Acho que o Marcelino Debacco, antigo presidente do Tamoyo Futebol Clube, também foi proprietário da linha de ônibus da cidade, agora do Eno Cortez há muitos anos. Peço socorro para a Neiva responder quem foi mesmo o primeiro proprietário de linha de ônibus da cidade.

A PALAVRA SEMPRE ATUAL DO CHICO XAVIER: “Nós que estamos vendo tantos filhos, tantos parentes mortos repentinamente nas estradas, tantos deles internados na toxicomania, às vezes em processos irreversíveis durante a vida física, e, no entanto, não estamos sem esperança, porque temos Deus, a imortalidade. Ele nos criou para sermos imortais e a Doutrina Espírita nos amplia a crença, nos dá uma nova visão do Cristo, o nosso amigo Eterno”.

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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