Coluna de Oscar Pinto Jung

Cremação ou não
25 de Abril de 2017 às 08:48

Para provocar o debate, perguntei no Face: você gostaria de ser cremado? Sim ou não? Por quê? Choveram curtições e comentários, com maioria favorável à incineração do futuro cadáver. Trata-se de matéria relevante, do máximo interesse para todos nós, que ainda andamos peregrinando no planeta de provas e expiações. A cremação pode ser analisada sob vários aspectos, por religiosos ou não. O colega Marcelo Bochi, por exemplo, é favorável à cremação e assim justifica, com as mesmas razões de muitos outros que se manifestaram:

- A cremação do cadáver é processo mais econômico, inclusive porque elimina a manutenção de jazigos e capelas. Evita apego ao material (túmulo). Não vejo sentido na existência de tantos espaços ocupados por cemitérios com mausoléus, havendo carência aos vivos. E a morte é passagem. Corpo físico decompõe.

A psicóloga Marta San Martin é cautelosa, tem conhecimentos sobre o Plano Espiritual, mas por enquanto não deseja ser cremada. A Marta se explica assim:

- Penso que falar sobre o assunto é diferente de vivenciar. Não sei dizer se meu espírito está preparado para tal processo, até porque sabemos que no momento do desencarne cada um de nós terá uma consciência em relação ao que estará ocorrendo. E mesmo tendo ajuda da espiritualidade nem sempre conseguimos a lucidez para compreender esse momento.

A médica Joanine Kettner não tem nenhuma dúvida: quer ser cremada quando chegar a hora dela. Disse mais:

- Meu pai e meu avô foram cremados. Lembro da curiosidade que a cremação causou há treze anos em Santo Ângelo, havendo inclusive críticas sobre a opção. Fico feliz em ver que a maioria agora valoriza o espírito e não a matéria. Mais ainda: a opção individual, independente de crença.

A irmã de fé Iara Muniz Pelizzaro de Araújo também deseja a incineração de seu corpo físico, decorridas 72 horas do óbito, e traz trecho de texto publicado na Revista Cristã de Espiritismo número 6, nos seguintes termos:

- O espírito preexiste e sobrevive ao corpo. Tanto inumação como cremação são formas de acomodar o cadáver. Expressam o livre arbítrio de cada um. Os dois processos destroem o corpo físico. Para se optar pela cremação é necessário haver um desapego aos laços materiais e mesmo com a inumação; caso o espírito não estiver devidamente preparado, poderá sofrer os horrores da decomposição. Quanto mais o espírito estiver preparado moralmente, menos dolorosa será a separação.

A Iara ainda nos traz apropriada frase de Allan Kardec para o tema:

- O homem não tem medo da morte, mas tem da transição.

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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