Coluna de Oscar Pinto Jung

Um relato estranho
06 de Junho de 2017 às 10:00

Nunca tinha recebido notícia tão inusitada como a trazida por amiga leitora que, por motivos óbvios, fica no anonimato. Nós sabemos muito pouco, quase nada, do fantástico mundo espiritual. O Espírito André Luiz, na série começada com “Nosso Lar”, faz as vezes de repórter e nos conta que por lá os vingativos continuam sendo vingativos, os cultivadores do ódio e da desavença continuam os mesmos, e assim por diante... Eles não viraram santos só por terem deixado a roupa carnal num cemitério terreno. Pensei nisso quando li o teor da missiva eletrônica, a seguir reproduzida:

- Gostaria de tirar uma dúvida. Tenho um casal de amigos sexagenários, que talvez o senhor conheça, Fulano e Fulana (não conheço). Acontece algo muito triste para os dois, que nunca tinha acontecido. Eles compraram casa e mudaram de bairro, aqui na cidade. E desde então as noites se tornaram agitadas, por conta de terríveis pesadelos que envolvem o dono da casa, seguidamente. Ele se defronta com bichos, puxa a mulher para desviar de tiros e até aparecem vacas e bois para atacá-la. Em razão dos pesadelos, já houve noite em que a mulher foi jogada para fora da cama, ocasionando pequenas lesões. Será que isso tudo tem a ver com perseguições de espíritos maldosos? Ele está se tratando com neurologista.

Sinceramente, não tenho a resposta certa para a cara leitora. Sugiro que o cidadão siga fielmente o tratamento prescrito pelo neurologista consultado e, por outro lado, o casal deve procurar uma casa espírita para ouvir palestras e receber passes (maravilhosa transfusão de energias cósmicas), pelo menos uma vez por semana. Faço votos que ambos os tratamentos tragam de volta ao casal noites tranquilas, de sono repousante e belos sonhos.

E por falar em sonhos... Nos sonhos, é comum o reencontro com entes queridos. A alegria é imensa, os diálogos são mais prolongados do que nós nos lembramos ao amanhecer. O amigo Luiz Nicola Vieira, espiritualista há muitos anos, andou sonhando com o amigo Orlando (Arvando, era o nome na certidão de nascimento), uma das pessoas mais desapegadas dos bens terrenos que eu conheci. Assim foi o sonho do Nicola:

- Na noite de sexta-feira passada tive um sonho muito nítido com o nosso velho e querido amigo Orlando Beck, conhecido curandor e benzedor do Bairro Haller. No sonho, recebi mensagem dele e a notícia de que sentia muita saudade (a saudade é uma ponta que fere nos dois lados da vida) de nós, os amigos daquelas tardes de boas conversas e o bom chimarrão trazido gentilmente pela Dona Domingas. O seu Orlando me falou que está muito bem no outro lado da vida. Que a vida é eterna, ou seja, somos eternos, somente mudamos de roupagem.

Pelo auxilio desinteressado que deu a tanta gente na modesta casinha do Bairro Haller, o seu Orlando desfruta hoje de merecido conforto no Plano Espiritual. Simples cumprimento de colheita da lavoura da generosidade. Quem semeia o bem, só pode colher o bem.

A PALAVRA DO ENFERMEIRO LÍSIAS
, que trabalha em hospital espiritual, ouvida pelo Espírito André Luís, e trazida para nós pela psicografia do médium Chico Xavier: “(...) se temos débitos no planeta, por mais alto que ascendamos, é imprescindível voltar, para retificar, lavando o rosto do nosso suor do mundo, desatando algemas de ódio e substituindo-as por laços de amor (...)”

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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