Coluna de Oscar Pinto Jung

72 horas, sim
13 de Junho de 2017 às 09:00

Cientes da imprestabilidade do corpo humano após a falência total dos órgãos, os brasileiros estão aderindo à cremação, por diferentes motivos, próprios de cada um. Há poucos dias, senhora de São Borja, de 56 anos, internada na Santa Casa, de Porto Alegre, ao constatar seu estado terminal, foi direta ao assunto: organizou seu próprio velório, as músicas que deveriam ser tocadas, o corpo cremado e as cinzas jogadas no rio Uruguai, bem na divisa do Brasil com a Argentina, países que ela amava. E assim foi feito. Há quem prefira jogar as cinzas no mar, outros debaixo de alguma árvore, ou num jardim bem florido e assim por diante. Só não é aconselhável guardar a pequena urna com as cinzas dentro de casa.

O tema incineração de cadáveres, contudo, não é tema pacífico entre nós, com algumas religiões ainda se manifestando contrariamente à medida. A extensão dos cemitérios, em tamanho e número, vai obrigar nos próximos anos a análise ponderada dos poderes públicos sobre a necessidade da cremação, realisticamente, até mesmo em nome da higiene da comunidade. Sobre a matéria, recebi a colaboração do Tenente Henrique Érico Müller, meu antigo aluno de Estágio na Faculdade de Direito de Santo Ângelo, nos seguintes termos:

- Seria desnecessário dizer que acompanho suas colunas com muito interesse, embora não seja espírita. Respeito todas as opiniões, credos, seitas e crenças, pois vejo que sempre há mais o que aprender. Sobre a cremação de cadáveres também sou a favor, concordando com os argumentos publicados e acrescento também as minhas. Sou a favor, primeiro, porque quando eu desencarnar (usando seu palavreado), quem gostou ou tenha boas lembranças de mim, as guardará no coração (na memória) e não será com túmulos suntuosos que serei lembrado. E essa história de levar flores nos “dias especiais” ao túmulo são meras convenções sociais, que obrigam as pessoas a entrar no “faz de conta” e ainda tem os túmulos abandonados, porque os remanescentes também morreram ou moram longe. Gostaria de saber a sua opinião sobre uma ideia ventilada pelo amigo Adão Lago Pinto. Segundo ele, a cremação só deveria acontecer três dias após o óbito, que é o tempo que o corpo físico precisa para realmente morrer.

Pois é, Érico, são muitos os túmulos abandonados em todos os cemitérios do mundo. Recentemente, encontrei amiga de muitos anos, de vassoura e balde na mão, limpando o túmulo de pais e tios desencarnados, num cemitério da cidade. Ela é quem ficou pra apagar a luz... Depois dela, quem limpará? Ninguém. Mas a opinião do Adão (46 anos de tabelionato, provavelmente o decano do Estado) está absolutamente correta. A incineração deve ocorrer, sim, 72 horas depois do óbito. Além do mais, Érico, não se pode esquecer que o Adão merece fé pública. O que ele falar, tá falado...

A FRASE DO ESPÍRITO DONA LAURA, registrada por André Luiz, psicografada pelo médium Chico Xavier: “O lar é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano da evolução divina. A reta vertical é o sentimento feminino envolvido nas inspirações criadoras da vida. A reta horizontal é o sentimento masculino, em marcha de realizações no campo do progresso comum. O lar é o sagrado vértice onde o homem e a mulher encontram-se para o entendimento indispensável. É templo, onde as criaturas devem unir-se espiritual antes que corporalmente. Na fase evolutiva do planeta, existem, na esfera carnal, raríssimas uniões de almas gêmeas, reduzidos matrimônios de almas irmãs ou afins, e esmagadora porcentagem de ligações de resgate”.

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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