Coluna de Oscar Pinto Jung

Zeiter - uma lembrança gostosa
05 de Setembro de 2017 às 06:15

Manhã dessas, na Avenida Brasil, o Renan e eu, nos encontramos com o Damião Balbueno Fernandes, e nos recordamos da Padaria e Confeitaria Zeiter, situada na esquina da Antunes Ribas com a 3 de Outubro. Ocorre que o Damião e o Cosme, gêmeos, começaram a vida profissional como doceiros no estabelecimento do alemão Hans Zeiter. É a padaria e confeitaria que até hoje provoca doces e inesquecíveis  lembranças dos santo-angelenses que provaram os produtos da casa. Cucas recheadas, tranças com passas, pães, massa doce, merengues, doces de coco e muito mais. As padarias atuais que nos perdoem, mas como aquelas cucas, nunca mais.

O casal Zeiter cumpriu o tempo terreno e retornou para o outro lado da vida. O filho único, Walter, preferiu seguir carreira tranquila no Banco do Brasil (dos bons tempos!). Aposentado, foi morar em Gramado, com a esposa e o casal de filhos. Cidadão tranquilo, sorridente como o velho Hans, o Walter lecionou Contabilidade Bancária na Escola Técnica de Comércio do Colégio Marista. Nas horas vagas, o Walter caprichava no violino e nos domingos de manhã mostrava seus pendores musicais no culto da Igreja do Relógio. A padaria Zeiter então encerrou atividades depois de uns trinta e tantos anos na Capital das Missões.

Mas a saudade é imensa e continua muito viva por aqui. A Laura Cini Marchionatti recordava os doces do Zeiter com as irmãs Cattani, justamente no dia em que eu postava comentário no Facebook, objeto de umas duzentas curtições. E as opiniões foram se acumulando, todas louvando aqueles produtos divinos... Algumas dessas opiniões, todas escritas com água na boca:

Neiva Maria Debacco Loureiro: “Quando ia para a aula no Verzeri, passava por ali e comprava a merenda. Tinha uns docinhos de coco que não esqueço”.

Maria Geneci Lopes (mãe da Roseclair Willms): “Eu gostava muito dos canudinhos recheados de creme. Nunca mais encontrei nada parecido”.

Vera Tonetto Araújo Chagas é outra saudosa dos canudinhos do Zeitter: “Até hoje sinto o cheiro e o sabor, só de lembrar! E nunca mais achei, em qualquer cidade onde andei, canudinhos com aquele recheio”.

Virginie de Carvalho Fett, diplomada pela Faculdade de Direito de Santo Ângelo, também dá seu depoimento: “Lembro dos docinhos de coco, de umas bolachinhas em forma de S. Íamos comprar os doces e após a compra, a
Frau Zeiter (o balcão era com ela), dizia para as gurias: “e já pra casa”.

Irene Schnepfleitner é outra das tantas que comparecia seguidamente na padaria do seu Zeiter. O nosso amigo veterano radialista Cláudio Muzak Karlinski não era muito do doce. Quando menino, o Karlinski comprava pão preto, de centeio puro, muito apreciado na época. O meu pai também gostava muito desse pão.

Que pena que terminou a padaria Zeiter. Nada é para sempre.

A PALAVRA DO ESPÍRITO EMMANUEL, pelo lápis do Chico: “O tempo é o nosso explicador silencioso e te revelará ao coração a bondade infinita do Pai que nos restaura a saúde da alma, por intermédio do espinho da desilusão ou do amargoso elixir do sofrimento”.
 

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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