Coluna de Oscar Pinto Jung

Apontamentos de verão
23 de Janeiro de 2018 às 15:15

Alguns ainda lembram do Bar Buriti, do Mário Bender. Na esquina da Rua Marquês do Herval com a Rua Andradas, na frente do hospital do lendário Dr.Gatz. A filha do Mário, a Cleide Bender, conta que os pais trocaram Campo Bom por Santo Ângelo, em 1966. Aqui chegados, compraram de Arno Sachs (irmão do joalheiro e bolonista Bruno Sachs) o ponto comercial que virou Bar Buriti. A sopa de mocotó fazia sucesso entre os fregueses da casa. Grave enfermidade levou o Mário para o outro lado da vida, então com 59 anos, em junho de 1985. Desaparecia um dos tantos bares de sucesso na cidade, como também desapareceram o Bar OK, o Bar São Luiz, o Bar Bola Branca, o Bar Atafona e tantos outros.

Qual a diferença entre idoso e velho? Encontrei a resposta em postagem do amigo Léo Roque Arnold na rede social. Autor anônimo sustenta que idoso é quem tem o privilégio de viver uma longa vida, sempre com bom ânimo, com lucidez, com interesse pelas coisas boas da vida terrena. Ao contrário, velho (de qualquer idade) é quem perdeu a jovialidade, fica por aí de mau humor, sempre reclamando algo de tudo e de todos. Ao invés de falar em saúde, só fala em doenças. Que você, querido leitor idoso, viva muito tempo pelo cenário terreno, mas que nunca fique velho!

Dona Lydia é um exemplo perfeito de pessoa idosa que jamais envelheceu. Depois de bem vividos 109 anos, dona Lydia retornou à Vida Espiritual. Morava na Linha Colussi, município de Bento Gonçalves. Sempre ativa, alegre, lúcida até os últimos dias. A idosa costumava ingerir uma colher de azeite de oliva todas as manhãs, pra lubrificar os intestinos...E não dispensava o vinho tinto seco em dose moderada. Dona Lydia mereceu conviver com familiares e amigos durante tantas décadas enquanto tantos jovens deixam logo o plano físico. Como explicar? Só o processo lógico e justo da reencarnação tem a explicação correta.

O mineiro Carlos Drummond de Andrade gastou os dedos nas velhas máquinas de datilografia para escrever artigos, poemas e livros. Certamente, também se valeu de alguma datilógrafa, como o advogado José Olavo Machado se valeu da Virginie de Carvalho Fett para datilografar livro e petições. Numa das tantas e primorosas crônicas, Drummond advertiu donas de casa que capricham demais na limpeza diária de quartos, salas e jardins.  As exageradas. A advertência do cronista continua muito válida a quem interessar possa: - Arrume a casa todos os dias...Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo para viver nela...

Na caminhada terrena não dá pra carregar ninguém no colo. Todos nós, felizmente, somos absolutamente livres em nossas escolhas. Quem prefere o pior caminho, arca com os maus resultados. A propósito, o Espírito Joanna de Ângelis (freira em duas ou três vidas pretéritas), escreveu, pelo lápis do médium Divaldo Pereira Franco: “Ama sempre, mas não te permitas relacionamentos conflituosos sob a justificativa de que tens a missão de salvar o outro, porque ninguém é capaz de tornar feliz aquele que a si mesmo se recusa a alegria de ser pleno”.

Sobre a importância da prece mental, o Espírito André Luiz nos ensina, magistralmente: - No silêncio de tua prece mental, podes expressar até mesmo com mais veemência do que num discurso de mil palavras, o hino vibrante do amor puro, a ecoar pelo Infinito, assimilando no âmago do ser a Divina Luz, que te sublimará todos os anseios e esperanças na renovação do destino.

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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