Coluna de Oscar Pinto Jung

Materialização de espírito
31 de Julho de 2018 às 10:58

É possível a materialização de um espírito? Sim, desde que haja médium de efeitos físicos para doar o ectoplasma necessário a tanto. Há muitos anos não têm ocorrido materializações no Brasil, mas aconteceram muitas, especialmente através do médium Peixotinho. Sargento do Exército, Peixotinho é o grande médium brasileiro de efeitos físicos. Certa vez, em Pedro Leopoldo (MG), o ectoplasma fornecido pelo médium permitiu a materialização do Espírito Scheilla, enfermeira alemã desencarnada no último conflito mundial. Scheilla, rodeada de intensa luminosidade, dialogou por alguns instantes com o médium Chico Xavier, na presença de diversas pessoas, em ambiente fechado.

Ectoplasma é uma substância viscosa, esbranquiçada, que provém do médium e sai pela boca e pelos ouvidos dele, como se viu perfeitamente quando da materialização de Scheilla. Em Santo Ângelo há o caso, talvez único, da materialização do espírito de menina de uns onze anos. No ano de 1942 a paz e o amor se espalhavam em abundância neste torrão missioneiro. Madrugadas tranquilas permitiam ao santo-angelense insone se dar ao luxo de caminhar despreocupado em qualquer rua, sem o mínimo temor de assalto. O Sargento Ananias, morador em pensão, nas imediações do quartel,  da mãe do amigo José Alfredo Callegaro, caminhava assim feliz em madrugada pela Rua Marquês do Herval, sentido sul-norte.

Surpreso ao ver menina sentada na soleira da porta da residência de Alcides Costa (vereador, deputado estadual), em plena madrugada, o Sargento Ananias acercou-se, com intento de ajuda, e perguntou o que ela fazia ali.

- Quero ir pra casa.

- Então, vamos.

O Sargento Ananias pegou a mão da menina e os dois saíram caminhando rua afora. Espantado, Ananias sentiu a mão gelada da menina, mas seguiu adiante, comprometendo-se a levá-la onde fosse a casa dela.

Evidentemente, o Callegaro não sabe dizer o que conversaram o adulto e a criança ao longo do trajeto sempre pela Marquês do Herval. Ao chegarem na esquina com a Rua Borges de Medeiros, a menina soltou a mão do Sargento Ananias, virou à esquerda e se encaminhou com passo rápido para o cemitério, chaveado àquela hora. Parado na esquina, assombrado naquela altura, o Sargento Ananias acompanhou e viu a menina passar pelo portão trancado e desaparecer por completo. De imediato, o Sargento Ananias botou as pernas a correr e disparou para o quartel, onde chegou gritando por água e calmantes.

Manoel José Corrêa Flôres, inativo do Exército, confirma o incrível episódio:

- Quando incorporei no 2º BCCL em 1963, o caso do Sargento Ananias era muito comentado pelos antigos militares da época.

CONCLUSÃO INEVITÁVEL: o Sargento Ananias era dotado de mediunidade de efeitos físicos e não sabia.

Advogado, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Escreve nas edições de terça-feira. 

Email: pintojung@terra.com.br

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