Coluna de Pedro Belmonte

1977
24 de Setembro de 2016 às 07:30

Aprovado o Divorcio no Brasil. Congresso Nacional, depois de 35 anos tramitando, aprovava a Emenda Constitucional número 9, do Senador Nelson Carneiro, regulamentada mais tarde pela Lei do Divorcio. Presidente Jimmy Carter potencializava debate dos direitos humanos. Presidente Ernesto Geisel editava o Pacote de Abril, fechando o Congresso. Morria aos 42 anos, Elvis Presley, vitima da combinação de estimulantes e soníferos.
Em Santo Ângelo eram empossados prefeito e vice, Carlos Wilson Schroder e Luiz Vilmar Denardin.
Bassani e Mecânica Ritter comemoravam 30 anos.
Inaugurada a rádio Sepé.
 Ministro do Trabalho Arnaldo Prieto inaugurava agencia do SINE.
Fórum de Santo Ângelo recebia seu primeiro pedido de divorcio.

Oliveira
Em 1964, assumia a gerência da radio Santo Ângelo, José Alcebíades de Oliveira. Trazia novas ideias.  Experiente, com passagens pela própria ZYF-6, Passo Fundo e Farroupilha, projeta mudanças. Convidado, aceitei colaborar. Funcionário de uma empreiteira de engenharia ferroviária recebia caches. Mesmo fora da emissora desde o final de 1968, mantivemos nossa amizade.  Voltamos a trabalhar juntos em 1978, na radio Sepé. Naquele ano concorreu e se elegeu deputado federal.

Oliveira II
Oliveira foi autor e intérprete dos acontecimentos, como comunicador e politico.  Homem pacífico, conciliador, afável. Em 20 de agosto de 1985, moço, aos 53 anos, inopinadamente saiu de cena. Estivera com ele em 1984 o entrevistando no seu gabinete de Diretor de Eletrificação Rural da CEEE, na Travessa Leonardo Truda, centro de Porto Alegre. Estava angustiado, inadaptado. Não gostava de postos executivos. Era um ser politico, comunicador. Após o inesperado revés de 1982, mostrava-se preparado às eleições de 1986. Pensava voltar ao Congresso, retomando seu trabalho em beneficio regional. A BR-392 era sua grande luta.

Flávio
Flávio Alcaraz Gomes foi outro magnifico exemplo de comunicador. Morreu há cinco anos. Seus últimos trabalhos foram na TV Pampa nos ‘Guerrilheiros da Notícia’. Era homem a frente do seu tempo, no rádio, jornal e na TV. Um repórter. Morreu em casa, se bem que deva ter desejado morrer de microfone em punho, como viveu grande parte dos seus 83 anos. Homem de ironia fina, sarcástico, polêmico.  Quando coordenava o rádio jornalismo e a programação da Sepé, recebi telefonema de Flavio: “Belmonte, estou com um repórter na região e preciso que você o ajude a enviar as reportagens que fez. É urgente. Se topar, pago a linha”.  Material era para a Farroupilha, que dirigia a convite do amigo Maurício Sirotsky.

Flávio II
Quando o repórter nos procurou, ainda no edifício Noroeste, cedemos uma mesa de som e linha telefônica para a transmissão.  Era alguém que desconhecia problemas. Havendo, os enfrentava. Foi dos maiores repórteres multimídia que conheci. Inspirou-me na atividade, como seu ouvinte nos áureos tempos da rádio Guaíba, dos programas que dirigia e apresentava, como “2001”, “Agora” e as suas grandes coberturas internacionais, entre elas, chegada do homem a Lua e os conflitos no Oriente Médio.

Santo
Visita de João Paulo II, em 1980, entre o fim de junho e início de julho a 13 cidades, inclusive Porto Alegre, causou comoção.  Por 22 horas, chimarreou, usou chapéu de gaúcho e rezou missa para 300 mil fiéis, na rótula da Érico Verissimo, bairro Azenha. Participei da cobertura desde a chegada, 4, até partir no dia seguinte. Grande momento para a imprensa aconteceu no Salgado Filho. Ficamos muito próximos dele. Lasier Martins e eu éramos os repórteres de rádio na pista quando um robusto e corado Papa desceu pelas escadinhas do avião, com insígnias do Vaticano, se ajoelhou, beijou o concreto e nos abençoou! João Paulo II transmitia humildade e doação, atributos que diferenciam o simples mortal dos apóstolos e santos! Em 2010, Bento XVI decretou o reconhecimento das suas virtudes e dos milagres ocorridos por sua intercessão. Depois se tornou Santo da Igreja Católica.

Macondo
Ciclones que açoitaram o Litoral Norte gaúcho com intensidade, dias passados, me levaram outra vez a ‘Macondo’, ao livro premiado de Gabriel Garcia Márquez, ‘Cem Anos de Solidão’.  Sempre mantive ao alcance das mãos, essa obra de 1967, que lhe valeu o premio Nobel de Literatura. Uma saga fascinante de personagens delirantes, desejos, paixões; mistura de fantasia, realidade, passado, presente, futuro, no mágico universo de ‘Macondo’, descrito com insuperável talento poético. Na página final, Aureliano Babilônia, o último Buendía, percebe – enquanto ‘Macondo’, a cidade das miragens, é varrida da memória dos homens depois de fantásticos 4 anos, 11 meses e 2 dias de chuvas e ventos – que “as estirpes condenadas a cem anos de solidão não tinham uma segunda oportunidade na terra”. Como a ventania amainou no Litoral, certamente novas oportunidades nos serão concedidas.

Eleição
Chegando a hora de o santo-angelense escolher prefeito, vice e vereadores. A prefeitura concorrem, Jacques Barbosa-Bruno Hesse; Paulo Azeredo-Fernando Diel; José Lima Gonçalves-André Marques e Paulo Leal-Cênio Weyh. Desde agosto, candidatos fazem a amostragem dos programas de governo. Campanha rápida exigiu mobilização e levou-os às ruas, ao frente-a-frente, ao corpo-a-corpo, com o eleitor. Escolha será dia 2.

Réu
MPF denunciou por corrupção e lavagem de dinheiro a Lula da Silva e outros seis, inclusive sua mulher Marisa Leticia. Juiz Sergio Moro acatou a denuncia tornando-os réus na Lava-Jato. Entrementes, delirante, ex-presidente como os Beatles, se comparou a Jesus Cristo e a Getúlio Vargas. Diferença da última comparação é que Getúlio fundou a Petrobras, o petista ajudou a afunda-la.

Coligações
Polêmico projeto de reforma politica, prevendo fim das coligações, encontra-se na CCJ do senado, aprovado. São autores, senadores Aécio Neves e Ricardo Ferraço, do PSDB.

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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