Coluna de Pedro Belmonte

Um ano depois
11 de Março de 2017 às 08:00

Em meio ao recesso da coluna, completou-se um ano da morte do Conselheiro do TCE, Adroaldo Mousquer Loureiro. Antes de assumir o Tribunal, foi vereador, prefeito, deputado, secretário de Estado e presidente da COHAB. Tratava-se de um ser visceralmente politico. Seu pai, Romeu Goulart Loureiro, era parente próximo do ex-presidente João Goulart. Era muito ligado a família. A mãe, Francisca Mousquer Loureiro, foi sua alfabetizadora.  Dias depois de conversarmos por telefone, deixou esta vida no entardecer da sexta-feira, 12 de fevereiro. Estive com ele como Editor do Jornal das Missões em 1984 e 1987. Em 1991-92, o assessorei na Secretaria de Trabalho e Ação Social e na extinta COHAB. Na Assembleia prestei-lhe consultoria. Último trabalho conjunto foi a criação da Associação dos santo-angelenses em Porto Alegre.  Já doente, em 2015, liderou o 1º. Reencontro de santo-angelenses, no Gaúcho. Era formado em odontologia e advocacia. Durante anos conduziu os negócios agrícolas da família. Em 1983, ele e o sogro Marcelino Debacco, implantaram o Jornal das Missões. Em 1996 assumiu o comando acionário da radio Santo Ângelo. Estava com 67 anos ao falecer.

Crônica do Tempo
Ultimando remessa à gráfica do conteúdo de Crônica do Tempo, segunda edição. Nele, entre os demais temas, conto minha relação com a Laranjinha. A seguir uma síntese. Texto completo, no livro.
“Nos primeiros anos da década de 50, em são Borja, um dos motivos de lazer era o jogo de ‘bolita’ (bola de gude) e as ‘peladas’ futebolísticas. A bola de meia era a mais usada. Um dia a Laranjinha, gostoso refrigerante fabricado pelos Vontobel, em Santo Ângelo, lançou promoção entre seus apreciadores. Tampinhas do refrigerante passaram a conter o desenho de uma bola de futebol. Não recordo o regulamento, se era pela quantidade de tampinhas, ou não. Sei é que quem cumprisse os quesitos, levava como prêmio uma bola, reluzente e de couro.”

Crônica do Tempo II

“Contumaz bebedor de Laranjinha ganhei a minha! Depois de recebê-la das mãos do representante na cidade, as ‘peladas’ no Campo da Lagoa, do Alipinho ou nas ruas ainda sem asfalto da São Borja de minha infância e adolescência, aumentaram. Decorridos mais de 60 anos, nunca esqueci a Laranjinha, o seu sabor inigualável, sua garrafinha marrom e, claro, a bola de couro ganha na promoção. Em 2015, depois de postar a historinha no FB, Libera, esposa do amigo Ottomar Vontobel, leu e recordou as viagens que ele fazia, de caminhão, Santo Ângelo a São Borja, para entregar o produto, num tempo de estradas de pó e barro, ao concessionário”. 
   
Crônica do Tempo III
Dentre os personagens da segunda edição, Gordo Placa, Durox, Silvano Saragoso, Leleco Rolim, Ricardo Sessegolo, Amauri Lírio, José Roberto de Oliveira, Benjamim Meneghetti, Flavio Pazenhagen, Eduardo Loureiro, Otavio Campos, Sandoval Lopes, Suzana Lunardi, Clecy Biacchi e Yole Steinhaus. Ainda, narrativas envolvendo o Café Central, Bar Ok, Restaurante do Titio, Churrascaria do Faldino e histórias da vida real, como ‘Uma vida dedicada a Medicina’, ‘Um pioneiro das comunicações’, ‘O Repouso do Missioneiro’, ‘Personagens que deixaram saudade’, ‘O Grosso que Satisfaz’ e muito mais.

Eduardo
Intensas as atividades do deputado Eduardo Loureiro. Em recente roteiro visitou os munícipios de Catuipe, Sete de Setembro, Guarani das Missões, Cerro Largo, Ubiretama, Salvador das Missões, São Pedro do Butiá, Porto Xavier, Porto Lucena e Campina das Missões. Na pauta desdobrada com prefeitos, vereadores e lideranças, projetos de interesse municipal e regional. Na segunda-feira, 6, participou da abertura da 18ª. Expodireto Cotrijal, em Não Me Toque. “É um evento que revela toda a pujança do agronegócio brasileiro. Aqui se vê um Brasil que dá certo, em razão do trabalho e do espirito empreendedor dos agricultores do nosso país” – observou na ocasião.

Lava-jato
Analistas políticos preocupados com precedente aberto pelo ministro Marco Aurélio do STF. Baseado na condenação em primeira instancia o ex-goleiro Bruno foi solto pelo ministro. Teme-se igual medida seja adotada na Lava-jato. Estaria sendo preparado terreno para libertação de petistas ilustres como Dirceu, Vacari e Pallocci.

E agora?
‘Sem a reforma da Previdência, adeus Bolsa Família, Fies e fim dos programas sociais’. Aviso ameaçador é do PMDB na sua página do Face book.

Chegaste
Muitos sabem, gosto de escrever a coluna ouvindo música. Ouço agora Roberto Carlos e Jennifer Lopes, interpretando com doçura e correção, ‘Chegaste’.

Ser missioneiro
Continuando a republicação dos depoimentos, a vez do advogado Paulo Joel Bender Leal.
 “Provocado pelo Pedro Belmonte a responder se ser missioneiro é um estado de alma, uma civilização ou e apenas residir na histórica região, atrevo-me a responder afirmando que ser missioneiro é tudo isso. O missioneiro é legatário da história de pessoas que habitam a região e que, por serem diferentes, clamam para serem conhecidas. Um povo que se relaciona com o mundo com base no respeito à natureza. Que fundamenta a existência de Deus não apenas na vida do homem, mas em todas as vidas da terra. O verdadeiro missioneiro é, então, um estado da alma humana evoluída a um mundo de sentidos, de integração, de reconhecimento de que divino está presente na terra, nas plantas, nos rios e os demais seres de um planeta, que nos tem como breves passageiros. Mas ser missioneiro hoje é, antes de qualquer coisa, ser guerreiro em defesa da história dessa região que mais uma vez encontra-se ameaçada pela cobiça dos que, assim como já fizeram com os espíritos Karaís e a história guaranítica, sepultarão também as reminiscências do centro histórico, na argamassa dos arranha-céus e da ganância imobiliária”.

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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