Coluna de Pedro Belmonte

Rádio de ontem
21 de Abril de 2017 às 08:24

Neste ano um veículo de massa dos mais importantes na minha vida profissional, completará 70 anos. Em mais de 50 anos de atividade em jornal e rádio, jamais esqueci o período passado na rádio Santo Ângelo. Entre colaborador e funcionário, foram cinco anos. Iniciei naquele estágio em que geralmente está quem tem anos de profissão, isto é, leitura de noticiários e, especialmente, comentários. Comecei como comentarista. Voz empostada procurava passar suspense, humor, tristeza ou alegria ao ouvinte. Neófito me socorria dos grandes locutores que ouvia nas emissoras de Rio, São Paulo e Porto Alegre, copiando seus estilos. Com cara e coragem dei meus primeiros passos na lendária ZYF-6, rádio Santo Ângelo. Além do comentário trabalhava na redação e apresentava a ‘Grande Resenha Informativa’, das 10 da noite.

Rádio de ontem II

Isso levou Oliveira a me convidar – já na qualidade de colaborador remunerado – a ser um dos apresentadores de o ‘Globo em Foco’, às 15 para as sete da noite. Um dia líamos o noticiário com a maior correção e respeito ao ouvinte. Noticiávamos as atividades da Sociedade Amigos Parque das Oliveiras (SAPO). Waldemar Alfredo Rosenthal dividia a bancada comigo, sério como cidadão e radialista, atividade repartida com sua função no Ministério do Trabalho. Li minha parte e quando ele foi ler, irresponsavelmente fiz um sinal com as mãos, seguido de uma bobagem, sussurrada.  Waldemar viu, ouviu se segurou para não rir, tentou ler, gaguejou, enrubesceu, emudeceu. Ficou rindo em silêncio. Tentei continuar, não consegui. Ficamos os dois gargalhando já com o microfone ‘cortado’ pelo experiente operador de som, João Lied, fazendo subir a trilha sonora.
 
Eduardo, o professor
Deputado Eduardo Debacco Loureiro feliz ao reviver seus tempos de professor da URI. Convidado a falar aos alunos do curso de Administração da Universidade, sobre a nova gestão pública, Eduardo considerou a volta aos bons tempos como um momento de ‘ótimo e produtivo debate’.

Glorificando arruaças...
Não é de agora que a literatura, o cinema e a televisão, usam a ditadura militar, (1964-1985), para atacar e acusar as Forças Armadas. Mais recente é a produção da TV Globo, ‘Os Dias eram Assim’. Aparentemente, premissa é a de glorificar as arruaças e a tentativa de comunização do País, sob uma ótica que altera visivelmente o fato histórico. Não houve anjos, heróis ou demônios de nenhum lado. Quem, como eu, testemunhou aqueles anos, epidermicamente, pode falar sem falsear os fatos. Nem os policiais, nem os militares foram os algozes daquela época. Quem se indispôs contra o regime, pagou as consequências. O povo trabalhador e ordeiro se beneficiou. Tempos bem piores estão sendo vividos neste momento. Por isto, antes de forma tímida e velada, hoje abertamente, em todo o Brasil é pedida a volta dos militares ao Poder.
   
Glorificando arruaças... II
Contudo, a situação está de tal forma deteriorada que, depreende-se, ninguém na Caserna tem disposição a voltar. Os custos imaginam-se, poderão ser enormes, até mesmo do sangue de irmãos, para tentar recolocar o País nos parâmetros dos anos Vargas, JK ou da ditadura militar. Detalhe preponderante é que, depois dos militares deixarem Brasília, os presidentes que os sucederam, Sarney, Collor, FHC, Lula da Silva, Dilma e Temer, foram citados na Operação Lava-jato, que investiga a drenagem de bilhões de reais dos cofres da Nação, destinados a saúde, segurança, educação, infraestrutura e aos programas sociais. Verdade é que acontece no Brasil algo complexo em termos sócio-politico-econômicos. Nem o Papa Francisco, que não se furta em dar sua opinião, se arrisca a analisar o que acontece por aqui. Pontífice recusou convite de Michel Temer para uma visita oficial, ao mesmo tempo em que cobrou medidas que evitem maiores sofrimentos ao povo.

Delações
Difícil de conceituar o fenômeno que abalou políticos e partidos brasileiros. Fico com ‘Delação do Fim do Mundo’. Delatores citaram 415 políticos e 26 partidos. O antes incorruptível PT lidera a lista com 93 filiados após a delação de executivos e ex-executivos da Odebrecht. A seguir vêm PSDB e PMDB com 77 cada. Os três concentram 59,3% dos políticos que se beneficiaram da corrupção. As petições pedindo investigações foram feitas pelo procurador-geral Rodrigo Janot e encaminhadas ao ministro Luiz Edson Fachin do STF.

Agilização
Presidente do STF ministra Carmem Lúcia, em boa hora, decidiu criar grupo de assessoramento para ajudar o ministro Edson Fachin na Lava-jato. Numero de inquéritos saltou de 37 para 113 após a delação dos executivos da Odebrecht. Trata-se de correta maneira de agilizar e evitar prescrições.

Sartori
Somente o govenador gaúcho José Ivo Sartori não consta na delação da Odebrecht. De Minas Gerais para baixo estão na lista os governadores dos estados do Rio, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Quem lembra esse detalhe na internet é o colunista Políbio Braga.

Dilma
Ex-presidente Dilma mandou advogados ingressarem na Justiça pedindo a anulação do seu impeachment. Alega ter prova de que perdeu o cargo por meio de chantagens. Surtou ou é falta do que fazer.

Trem Bala
Como sempre, escrevi a coluna ao som de boa música. Além de outras estive ouvindo ‘Trem Bala’, interpretado por Ana Vilella – sua autora – e Luan Santana. Música interessante, mensagem instigante, certeira. Somos todos passageiros nesta vida que corre célere. É bom aproveita-la com boas ações e amando nossos afetos enquanto houver tempo.
 

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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