Coluna de Pedro Belmonte

Final dos tempos
10 de Junho de 2017 às 16:53

Ontem, como hoje um tema é recorrente: o fim dos tempos. Primeira vez a ser tocado por ele foi no ano de 1959, em São Borja. Roque Auri Andres e eu éramos colegas no Ginásio Estadual, companheiros de jogo de botão e leitura de revistas esportivas. Bons cristãos assistíamos missa na igreja matriz São Francisco de Borja. Certo dia, do nada, surgiu a notícia: o mundo iria acabar! Seriam necessárias providências. Como aumentar a frequência à igreja. Mas, continuamos assistindo às sessões noturnas dos cinemas ‘Municipal’ e ‘Variedades’. Após, acalmávamos nossos estômagos com gigantesco ‘Farroupilha’ (pão d’água de um quarto-de-quilo, cortado ao meio e recheado com mortadela, manteiga, queijo e, opcionalmente, alface e tomate), no bar ‘Quitandinha’, defronte à Praça XV.

Final dos tempos II
Uma caneca de café-com-leite ou uma laranjada do Sperandio,  completava o lanche que levava Roque e eu a dormirmos fornidos, mesmo que naquelas noites pré-apocalipticas, pudesse causar indigestão e pesadelos. Não ligávamos, afinal uma delas poderia ser nossa última! Como surgiu, a notícia envelheceu e morreu, para a nossa  alegria e demais colegas do antigo GESB. As idas à igreja de Monsenhor Patrice Petit-Jean, em busca da salvação de nossas almas, voltaram ao normal. As partidas de botão e a leitura de revistas continuaram, bem como as incursões ao ‘Quitandinha’ ao encontro do ‘Farroupilha’. Pensava que nunca mais voltaria a falar no fim da humanidade. Errado. Muitos anos depois continuam recorrentes as previsões de aniquilamento da terra.

Informe Especial
O Clube 28 de Maio completou 90 anos.  Em 1966, como diretor de publicidade-imprensa, organizei revista comemorativa aos 40 anos. No  Informe Especial, impresso na extinta Tipografia Alvorada, editei retrospectiva das suas 4 décadas, desde as origens, fundadores e primeira diretoria.  Motivação principal foi criar uma entidade que se dedicasse à prática  do Bolão. Em maio de 1926, um grupo se reuniu na residência de Ernesto Mückler e criou núcleo daquele esporte, com sede na chácara de Hugo Geiss.  Primeira diretoria: presidente Ernesto Mückler; vice-presidente Gustavo Leusin; 1º secretário Ernesto Niersdberg; 2º Helmuth Schnepfleitner;  1º tesoureiro, Roberto Schnepfleitner;  2º. Jacob Krüger; Zelador, Alfredo Reinheimer. Número de sócios fundadores foi de 16. Em 1966, o 28 de Maio possuía 2.500 associados.

Informe Especial II
Diretoria de 1966 era formada por Eloy Nelson Pedrazza, Presidente; vice, Bruno Sachs que por motivos particulares não assumiu,  substituido por Luiz Carlos Sabo. Diretor social, Capitão Jose de Sá Oliveira; secretaria Claudio Bechler e Ary Franke; tesouraria, Cleber Santos da Silveira e Timóteo José do Amaral Teixeira; Diretor de Esportes, capitão Racso Sebastião Botelho; Diretor de Patrimônio Dirceu Kaipper e eu na publicidade e imprensa. Presidente da Ju-C28 Mário Carlos da Fonseca Rodrigues (Biluca); Vice-presidente, João Pedro Lamana Paiva.

Protestos
Diz-se que as manifestações e confrontos com a polícia, nas capitais brasileiras, se parecem com 1968. Naquele ano foram rebeliões juvenis. Aqui contra o regime;  nos Estados Unidos a guerra do Vietnã e na França  pela imaginação no poder. Hoje há  criminosos infiltrados nos movimentos,  alguns vindos de outros estados, movidos a pão e mortadela. Aproveitando-se do direito de livre manifestação, misturam-se assaltantes, drogados, que promovem  quebra-quebras contra os patrimônios publico e privado.  Verdadeiros manifestantes cobram ações contra as reformas, a corrupção, violência, insegurança, o desemprego. O  grito das ruas se faz ouvir, pedindo a saída de Temer!   População protesta contra tudo que julga errado no país. A questão é: banalizadas,  podem perder força.

Problema antropológico-político-social
Cheguei a escrever que construir presídios era uma demasia, pois também  faltavam escolas e hospitais.  Contudo, não é  apenas a falta de conhecimentos, educação, que levam as pessoas a delinquirem.  O  desemprego e as drogas, também potencializam os maus instintos dos quais somos portadores, sejamos alfabetizados, semianalfabetos, analfabetos. Ao fim e ao cabo, carência de escolas, hospitais, presídios, a multiplicação da violência, não ocorre somente porque a gestão é mal conduzida ou por faltarem investimentos, mas pelo excesso semântico. A retórica e o politiques estão vencendo.  Problema envolve questões antropológico-politico-sociais. Não atacados,  continuaremos enxugando gelo.

PEC
Coordenador da Força Tarefa da  Lava-jato, procurador Deltan Dallagnol, lamentou modificação no texto da PEC autoria do senador Álvaro Dias. Conforme Dallagnol “a PEC de fim do Foro Privilegiado, votada pelo Senado, é uma ilusão. Na prática, continua blindando parlamentares”.

Plebiscito
Governador José Ivo Sartori vem reiterando a realização de plebiscito, ainda neste ano. Plebiscito seria para decidir sobre a venda de estatais, entre elas a CEEE. Sartori defende que ‘a sociedade tem o direito se ser ouvida a respeito do futuro que queremos para o RS’. Aguardemos.

Condenação
Repercute pedido de condenação do ex-presidente,  Lula da Silva, pelos crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro. Pedido é do juiz Sergio Moro e inclui mais outras 5 pessoas. Conforme o MPF, ele teria recebido cerca de R$ 3 milhões, incluídos o tríplex, transporte e guarda do acervo recebido ao deixar a  presidência.  Procuradores pediram prisão em regime fechado, na condenação do tríplex. Advogados de defesa alegam que na ação penal do tríplex os procuradores insistem em ‘inconstitucionalidades e ilegalidades’.

Dólares
Diretor da JBS, Joesley Batista, disse em delação premiada que a empresa mantinha duas contas na Suíça. Nela depositavam dinheiro de propinas a disposição dos ex-presidentes, Lula da Silva e Dilma Rousseff. Contas chegaram, em 2014, a ter 150 milhões de dólares, em depósitos. Lula da Silva rebateu acusações e chamou Joesley de ‘ canalha’.

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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