Coluna de Pedro Belmonte

Livro
08 de Julho de 2017 às 08:45

Mais um trecho do livro ‘Getúlio Vargas, meu pai’, autoria de Alzira Vargas do Amaral Peixoto. Este abrange algumas questões que afligiam a filha do ex-presidente: “Já estávamos em fins de agosto de 1932 e eu continuava a fazer perguntas a mim mesma. Por que  ‘Revolução Constitucionalista? ’ Seria papai um ditador ambicioso e nada mais. Não. Impossível. Ele era tão bom e honesto em suas palavras e atos. Já começara a cumprir as promessas feitas como candidato. Deveria haver um motivo e eu precisava descobrir para poder continuar a crer. Fiz um balanço do ano de 1931. Que tinha feito de bom e ruim? Abordara o problema do saneamento econômico e financeiro; concedera anistia; instalara a Comissão Legislativa para estudar a reforma dos códigos brasileiros, antiquados ou inadaptados ao Brasil; nomeara a Comissão para elaborar o projeto de reforma eleitoral, para que se pudesse, sob novo sistema, eleger os Constituintes, futuros autores da nova Carta Magna; criara mais dois Ministérios, o do Trabalho, Indústria e Comércio e o da Educação e Saúde. Na época diziam que ele havia criado por politicagem, para poder dar mais um Ministério a Minas e mais um ao Rio Grande.”.

Impeachment?
Em 1992, vivíamos o impeachment de Fernando Collor,  por denúncias contra integrantes da sua equipe. O fim aconteceu depois da sua malograda convocação a que os brasileiros fossem às ruas “trajando verde e amarelo”. Em resposta, 10 mil estudantes foram às ruas do Rio, ao som de “um dois três, quatro, cinco, mil, queremos Collor fora do Brasil”. Movimentos ocorreram noutras capitais. Ano passado,  manifestações foram  contra e a favor ao impeachment de Dilma Rousseff. Contrários integrantes de movimentos sociais, sindicais, do PT e partidos aliados, vestindo vermelho, foram pacificamente às ruas  bradando ‘Não vai ter golpe’. Favoráveis, também em paz, sem identificação partidária, vestindo verde e amarelo gritavam ‘Fora Dilma’, ‘Impeachment já’. Parlamentares  revezaram-se em discursos.  Dedicaram  o voto às famílias, a Deus, aos moradores de rua, prefeitos e correligionários de suas cidades.

Impeachment? II
Dez horas depois, o resultado acachapante de 367 votos favoráveis, contra 146.  Nos dias seguintes petistas  prometeram se  derrotados no Senado, judicializar o impeachment. O que cumpriram.  Eduardo Cardozo afirmava que o Governo iria ao STF para freá-lo,  ignorando  ao Supremo que convalidou o processo.  Derrota resultou, basicamente, daquilo que o governo tinha dificuldade: a falta de articulação politica. Nem os benefícios oferecidos  aos aliados mudaram o quadro. A  presidente foi afastada.

Impeachment? III
Dias atrás o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou o presidente Michel Temer, por corrupção passiva. É  o primeiro presidente, no exercício do cargo, denunciado por crime comum. Caso  autorizado pela Câmara e aceita pela maioria dos ministros do STF, será afastado por 180 dias. Poderá desembocar em mais um processo de impeachment. A população, em meio a tudo perde as esperanças de que o Brasil volte a crescer, social e economicamente. A nação está fracionada, a irracionalidade predomina.

Articulação
Comenta-se que advogados de Temer, Dilma, Lula da Silva e Aécio, estão na linha de frente articulando manifesto para questionar o judiciário e o MP. Questionamentos à delação da JBS impulsionaram a articulação. Todos os envolvidos estão implicados na Lava-jato.

Janot
Rodrigo Janot deixa o cargo  em setembro. Já tem substituta, Raquel Dodge. Há questões insepultas. Sérias. Procurador-geral da República teria agido corretamente na obstrução de justiça atribuída a Temer? E Dilma? Quando a Constituição foi esquecida para manter a ex-presidente elegível, ele se calou. Os áudios, encontros fora do país, ao contrário de agora, foram ignorados. O quase ex-procurador-geral  fugiu a regra.   Estranhável, igualmente, a extrema rapidez  em denunciar a Temer. Não questiono o presidente ser ou não culpado.  Janot, também poderá se tornar alvo de investigação, envolvido no rumoroso acordo de delação com os envolvidos na JBS. Sem foro privilegiado, terá problemas.

Janot II
Quanto aos problemas entre Janot e Moro, podem estar acabando. Comenta-se, com a chegada de Raquel Dodge poderá haver mudanças. Contrária  a corruptos e corruptores, passou pela Operação Caixa de Pandora que colocou na cadeia o então governador do DF, João Roberto Arruda. Comprometeu-se a dar apoio irrestrito à força-tarefa e retirar a blindagem dos alvos petistas. A partir de setembro espera-se  o desmantelamento dos esquemas para blindar Lula da Silva, Dilma Rousseff e caterva. Relator da Lava-jato Edson Fachin, terá mais dificuldades para retirar ações  do juiz Moro. Nos últimos dias, tirou  cinco ações de  investigados do PT, quatro contra o ex-presidente  e o ex-ministro Guido Mantega.
 
Nardes
Relator  do processo de renovação da concessão do trecho Guaíba-Osorio, ministro do TCU, Augusto Nardes, me remete cópia  de entrevista a imprensa nacional, em que se posiciona pela sua continuidade.  Nardes entende que o contrato precisa ser renovado “para garantir  capacidade de atendimento na estrada”, mas considera as tarifas exageradas. “A gente tem que fazer um recalculo do pedágio, que está muito alto. É necessário adaptar à situação atual” – adiantou o ministro. Área técnica do TCU está encarregada dos estudos que indicarão as novas tarifas.

Acesso 
Asfalto do acesso a Eugenio de Castro deve ser finalizado até setembro. Informação partiu do deputado Eduardo Loureiro ao prefeito Jaime Zweigle (Polaco).

Missão
Seguindo para o Paquistão onde cumprirá missão de paz e estudos meu filho Giancarlo Niedermeier Belmonte, major de Comunicações. Atualmente é instrutor da ECEME (Escola de Comando e Estado Maior do Exercito), no RJ. Viaja com ele a esposa Monica. Abraço aos dois e sucesso na missão.

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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