Coluna de Renato Schorr

Darci Ribeiro e Anísio Teixeira
09 de Janeiro de 2014 às 07:00

Colhemos os resultados no andor da carruagem! O aumento populacional desregrado não encontrou as necessárias estruturas para assentar os habitantes das cidades médias e grandes. Por outro lado, o campo “se esvaziou” com a migração campo/cidade, onde os migrantes levaram consigo o desconhecimento de ofícios urbanos, além do despreparo para enfrentar a nova realidade. Por via de consequência, com a nova realidade, o poder resoluto do comando familiar foi totalmente perdido.
Nessa esteira, a escola moderna também restou fragilizada e uma enorme massa de jovens encontrou a porteira aberta ao desfazer! Essa realidade plausível havia décadas, associada a um sem fim de questões, legou ao conjunto social uma gama de problemas, antes solúveis, ora sem luz, abalam a nação sob todos os aspectos.
Retomando a questão escola de turno integral, abordada na semana anterior, há que se ter em mente as lacunas abertas no seio familiar, onde residia a fortaleza da formação humana, especialmente, no que condiz à educação, considerando ser a escola o local para se complementar o coeficiente educacional e onde se oferece e disponibiliza as ações de domínio do conhecimento e aprimoramento intelectual. Pois bem, o antropólogo Darci Ribeiro, no alto de sua experiência fora chamado para contribuir com a questão e interagira juntamente com Anísio Teixeira e outros.
Essa dupla, segundo faculta a leitura, encontraram um viés possível no sentido de envolver os jovens, em turno inverso, onde pudessem se assenhorear de conhecimentos, criando uma estrutura possível, nas escolas de turno integral CIEPs. Esse projeto foi totalmente abandonado por governos posteriores. A verdade não manda recado, ela abre a boca e mostra a dentadura. O Brasil de hoje tem uma população carcerária em torno de 600 mil pessoas; destas, “somente” 29%, aproximadamente 174 mil encarcerados têm idade inferior a 34 anos, segundo dados dispositivos via eletrônica.
Os dados poderiam ser ignorados, contudo, nós somente abrimos os olhos, quando o valor da megasena se avoluma, no caso, os números falam alto. Essa população de encarcerados atinge exatamente a clientela escolar dos tempos em que foram construídos os CIEPs e depois, “incinerados”! Flui na memória uma história contada, pelo saudado João Santos, um santo-angelense, quando, em visita ao Rio de Janeiro, num sábado pela manhã, se dedicara às compras e em dado momento, um cidadão interrogou-o: o senhor é do Rio Grande? João levou um susto e quis desconversar, mas o mesmo voltou à carga e replicou, seu sotaque é gaúcho!
Bem, leitor, o saudoso foi convidado pelo proprietário do estabelecimento para dar uma volta na cidade e ele de pronto repeliu, argumentou precisava proceder em compras, mas aí foi convencido a visitar os nove CIEPs existentes. Sem delongas, após visitar o nono educandário o carioca, feliz, dizia orgulhoso ao nosso conterrâneo: nestas escolas construídas pelo gauchão de vocês (Brizola) os meninos que nos furtavam nas lojas, estão se tornando cidadãos. Pouco importa quem foram os arquitetos do CIEPs, importa sim, os resultados que eles vinham oferecendo! “Restaram implodidos”! 

Fonte: Jornal das Missões

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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