Coluna de Renato Schorr

2014 - promete
20 de Fevereiro de 2014 às 07:00

Esse ano de 2014 prometia: e assim se fez quente, quentíssimo, quebrando recordes! E promete! Segundo meteorologista, em maio a temperatura vai zerar e os termômetros assinalarão diversos graus negativos. O frio vai ser de renguear cusco. Antes, porém, e já se vislumbra aí na frente, virá o carnaval, capaz de imobilizar o país, por no mínimo, uma semana. Depois da quebrada, a Copa do Mundo. O futebol com seu magnetismo é capaz de atrair quatorze bilhões de olhos. Mais adiante, outro ingrediente de grandes dimensões – o processo eleitoral –, culminando com as eleições de outubro. Haja regulador de emoções!

O carnaval se traduz na maior festa popular do Brasil, com a presença de milhares de turistas estrangeiros e por igual, dividendos em grandes aportes. A imagem externa do país está chamuscada, retraindo e inibindo desta forma, em muito a presença de maior contingente e na mesma senda, os dólares, sempre tão bem vindos, até porque a nossa balança comercial está altamente deficitária. Ainda assim, o carnaval vai desviar os olhares do povo em relação aos problemas nacionais, aliás, nossa gente desconhece dos problemas, é altamente alienado, se fixa “nas novelas” de toda ordem, enquanto os cofres são surrupiados.

Com Felipão na Copa das Confederações fomos brindados por arbitragens que alijaram seleções de porte, contudo, na Copa do Mundo, a verdade vai ser outra e nosso escrete não encontrará as mesmas facilidades. Felipão tem no seu feijão com arroz o prato preferido, e dele soube tirar o suprassumo dirigindo o selecionado canarinho. Em se tratando de futebol isso funciona por determinado período, depois, perde o elã! Entretanto, antes mesmo de iniciarem os jogos, as manifestações das ruas já serão eloquentes, agora imagine o leitor, quando os resultados de campo deixarem de ser positivos! Sem dúvidas, as ruas vão fervilhar.

E o pleito eleitoral? Eis a grande incógnita! As projeções de uns e de outros são totalmente antagônicas e ocorre num terreno movediço, onde as pedras serão movidas, meticulosamente, por vezes, em tabuleiro reais, em que pese, na maioria das oportunidades, dar-se-ão nas entranhas da ficção. Firmar convicções cabe aos envolvidos, aos apaixonados por siglas ou pessoas, e ainda no apego às seitas doutrinárias, filosóficas ou não, contudo, haverá sim a predominância do fisiologismo. Esse pleito se antevê hostil, aos tempos de dantes; em razão disso, há que se invocar as habilidades e as estratégias de Oswaldo Aranha, no afã de evitar verdadeiras batalhas campais, no entrechoque de opiniões, atos e ações.

Quando falamos em eleições logo aflora a imagem de Getúlio Dornelles Vargas, o grande estadista, homem de pequeno porte, entrementes, de grande capacidade mental. Um visionário, ele soergueu a Petrobrás, em tempos difíceis, estatizou o petróleo e com isso, deu um passo importante alavancando o progresso. Na última década prometeram soterrar a figura de Gegê, ao ponto de não mais ser lembrado, contudo, hoje, a Petrobrás está vivendo um dos piores momentos da história (conquanto há o pré-sal) e seu patrimônio já está comprometido em mais de cinquenta por cento. Oh, Gegê, saia da tumba e retorne ao trono. 

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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