Coluna de Renato Schorr

Responsabilidade
30 de Abril de 2014 às 18:35

Em nosso vernáculo consta o termo responsabilidade, mas este anda assim mais que esfarrapado, em frangalhos, isso se constata de riba a baixo! Vem do Congresso Nacional, do Executivo Federal, dos governos de todas as esferas e dele não se escapa nem mesmo o Judiciário, e nem poderia, eis que composto por pessoas e, estas são filhos da sociedade nacional. Neste contexto, nos enquadramos todos, sem exceção, em especial, no exato momento em que nos transportamos para a condição candidatos e eleitores.

Consta dos anais que durante os pleitos eleitorais ocorre a negociação do voto, em decorrência disso, os envolvidos perdem a credibilidade (no mínimo deveriam se sentir envergonhados, em especial, irresponsáveis), na contingência dessa negociação ambos ignoram o profundo e real sentido de: responsabilidade. O prefixo ir anda maluquinho para prefixar-se ao termo em epígrafe.

Por vezes reclamamos dos meios de comunicação por divulgar apenas notícias “fatídicas”, em todos os sentidos. Sem sombra de dúvidas a mídia anda entulhada de informes negativos, porém, esses nascem no seio da sociedade e não raras vezes, se sobrepõem nos meios políticos. Aliás, nesse reduto, ao que parece, a conduta indesejada de nossos representantes é mesmo interminável.

Nos órgãos estatais dirigidos em sua maioria, por “seletos” integrantes de greis políticas aconchavadas no poder central e estaduais, o prefixo já se afixou e construiu a irresponsabilidade. A situação anda tão alarmante, chegando ao estonteante, diuturnamente, há protestos incendiando veículos de transportes coletivos, ataques a unidades da Polícia, a prática de tocaias aos integrantes das forças públicas. Enquanto isso, os nossos representantes sequer esboçam reações e ainda lançam chamam sobre o passado. Há um jargão popular, por vezes aventado em instituições que lidam com a área do conhecimento que diz: o passado serve de espelho para o presente e esse para preparar o futuro. Contudo, devemos lembrar que o futuro de ontem é o presente de hoje. Portanto, aquele futuro não será eternamente futuro.

Entretanto, a responsabilidade merece um monumento em todos os campos da sociedade; no mesmo sentido, todas as pessoas se abastadas e/ou desgastadas financeiramente, quer sejamos sem escola ou pós-doutores, em qualquer semblante, de robustos a esquálidos, devemos respeito para a dona responsabilidade. Enquanto mantivermos exclusivamente na mão dos elegidos os desígnios da nação, as anomalias se perpetuarão e os interesses corporativistas exalarão suas fragrâncias.

O passado é belo retrato! Nossas ruas empoeiradas com seus habitantes humildes, com meios de lotação de tração animal, as pessoas com estampa rural, ordeiras e trabalhadoras, as vozes de sotaques diversos, homens e mulheres de afazeres honrados, semearam essas terras e lhes emprestaram os nomes para as ruas, vielas e ruelas, para os podiuns. Seus feitos estribaram canções lúdicas, sentimentais e oficiais, cantos ternos na voz das ferramentas. Silenciá-las em nome de outras virtudes, desvirtua a responsabilidade. O dia em que os homens souberam ajoujar os números e depositá-los potes, o passado poderá sorrir feito jardins.

Fonte: Jornal das Missões

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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