Coluna de Renato Schorr

N’alguma cruz de pau-ferro
04 de Setembro de 2014 às 08:00

Regressando pelos trilhos deixados pela humanidade, em cada encruzilhada fica uma indagação: para onde levará? Seria por aqui? Devemos retornar? Retornar, por quê? Toda estrada nos conduz a algum lugar. Nela podemos deitar os olhos, apanhar ensinamentos e neles podem estar as nossas raízes. Quanto às pegadas deixadas, restará a marca em algum moirão. Porquanto percorrer o caminho no sentido inverso, mostrará as marcas indeléveis do tempo nos “lustres”! Retornar jamais significará perda de tempo, ainda que saudosismo, demonstrará ser prudente caminhada para colheita das semeaduras de nossos ancestrais.

Pois as raízes da gente gaúcha estão mais que encravadas nos debruços das nossas coxilhas, nos pós-montes, nas vastidões das nostalgias, nos silêncios da pampa, nas linhas limítrofes das guerras, nos porvires das desesperanças, nos ermos dos descampados, nos assovios dos ventos, nas notas dos tilintares das chilenas, nos cintilares das estrelas, nos presságios dos andantes, nos relinchos dos garanhões, nos cios das matrizes, nos gemidos dos vales, nas tinires das adagas, nas súplicas semânticas, nos bordados do infinito, nas rudezas campeiras, nos versejares, nas charlas dos pajadores, nos etéreos dos deuses, nos perfumes dos jardins, nos romances tafoneiros, nos enlaces sentimentais, nas esperanças futuristas, mas também nas raízes poéticas e musiqueiras do nosso pago!

Os poetas remontam em versos aos tempos dos abundantes santuários naturais e da vida primitiva dos habitantes dos rincões, entrelaçadas com os europeus, nas inserções jesuíticas prenhes de crenças outras, contrastantes aos predominantes deuses, nas ideologias, nos combates, nos embates, nas místicas, nas lendas, nos mitos, nos vultos, na história, na verdade, nas inverdades, nas terras, nos jugos, na prepotência, nos predomínios, na prevalência, nas trocas, nos interesses, nas destrocas, nos morticínios, nas catedrais, nas gentes, nas orações, nas súplicas, nos roubos, nos furtos, nos estupros de ideais e gentes, na perda das terras, na guaranítica, nos santos, nas heranças, nos legados, na pedra que restou!

Os versos com o viés poético ou não tomam a forma de canção nas melodias desses construtores musicistas, enriquecendo o terrunho, laureando as cantigas proféticas, adocicadas por vozes aveludadas nos cantares da gente sulista, ferrenha na defesa das suas raízes campechanas, cavalgando amplidões no território demarcado e assinalado na pata de corceis e nas lanças desses cavaleiros, briosos e sequiosos no orgulho de ser do sul. Pátria de pampa e cavalo, homem e lança, sentimento e coragem, ideal e orgulho, gaúcho na essência!

A empresa Ronda Gaúcha, que atua há sete anos no ramo da imprensa em rádio e revista, lança neste sábado, 6 de setembro, a sua 6ª Revista Ronda Gaúcha, junto ao Clube Gaúcho de nossa cidade, traduz esses sentimentos sulinos em sua programação, legando ao povo a musicalidade e a história, mantendo acesa a chama do eterno gauchismo, feito tesouro escondido na voz d’algum ancestral ou n’alguma cruz de pau-ferro, com inscrições feitas a facão! Tadeu Martins, o homenageado da vez, recebe essa merecidíssima lembrança!

Fonte: Jornal das Missões

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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