Coluna de Renato Schorr

Guilhermino César
22 de Outubro de 2015 às 13:00

As pessoas sérias, competentes, responsáveis e habilidosas constroem a sua própria trajetória, pouco importando onde nascem, vivem (Falastrões nada constroem). Pois, o cidadão em evidência no texto, um mineiro, nascido em Eugenópolis, MG, em 1908, por questões profissionais é transferido para a Capital gaúcha, de onde se despede deste plano em 1993. Cabe ressaltar que possuo um dos livros deste escritor, por obra de uma deferência especial de Oscar Pinto Jung.

Guilhermino César da Silva, no decorrer dos anos foi escritor, jornalista, professor, historiador, além de exercer outras atividades, inclusive, chefe de gabinete no governo de Ernesto Dorneles, em Porto Alegre. Ministro (então) do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, Secretário da Fazendo do RS. Ainda, cronista e crítico literário do jornal Correio do Povo. Também foi presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul. Tendo atuado ainda, na dramaturgia, na condição de diretor de peças teatrais, na década de 1940. Escolhido Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre em 1990. Lecionou na Universidade Coimbra, Portugal, na qual recebeu o título de doutor Honoris causa, por merecimento!

Pois, se trouxemos Guilhermino César ao bojo do debate, considerando a sua relevância sobre um assunto sempre atual – Missões. Missões que houvera no mundo todo, espalhadas pela América na simbologia inaciana, por óbvio, também no Brasil, ainda que sob o manto espanhol, via assunção, donde emergiram nada menos do que trinta povos e neles centramos esse enfoque.

Ocorre uma discussão “eterna” e opiniões divergentes, ainda bem que assim seja, contudo, elas, as reduções dos Trinta Povos, são dissociadas das reduções do Tape (RS), conquanto os Sete Povos meridionais, porém, indissociáveis dos Trinta Povos, intimamente ligados entre si, ao comando de Assuncion.

Segundo Glauco Carneiro ...“tomemos o meio em primeiro lugar e saibamos o que é a magia da campanha, o fascínio do Rio Grande do Sul. Do alto dos ensinamentos de Guilhermino César, recolhemos que a formação do Rio Grande do Sul é dos capítulos mais recentes da História brasileira. Basta dizer que a integração definitiva do território só se completou no inicio do século ante-passado(1801), ao incorporarmos as missões jesuíticas da margem esquerda do rio Uruguai. Mas justamente por ter sido o único ponto do território nacional em que a ocupação portuguesa se chocou, de imediato, com a espanhola, a fisionomia do Rio Grande foi sempre a de uma fronteira em armas.”

Para Guilhermino César, um mineiro, homem com domínio do conhecimento, diante de sua desvinculação emocional com o Rio Grande, lhe transfere a autoridade moral da isenção e dentro dela, a lisura quanto a questão das missões nos moldes acima ditos, dentro do conjunto das reduções dos Trinta Povos. 

Jesuítas a serviço dos espanhóis e bandeirantes dos portugueses convergiam para essa região. No litoral atlântico, a vila catarinense de Laguna; no estuário platino, a Colônia do Sacramento, plantada como um desafio aos castelhanos bem diante de Buenos Aires, e terra adentro a fortaleza do Rio Grande de São Pedro, embora distanciadas umas das outras vão articular-se depois, num misto de defesa e ataque(Glauco Carneiro).

 “Facilitado como foi o cruzamento entre índios e portugueses pela índole de ambas as raças, serviu o relvado da campanha rio-grandense de leito amoroso e fecundo que haveria de caldear a nova raça que despontava para encher as páginas de sua história com hecatombes homéricas que limitaram fronteiras até mesmo contra as imposições telúricas que as apontavam por diferentes traçados.
 

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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