Coluna de Renato Schorr

Fatos acontecidos e outros por acontecer
21 de Janeiro de 2016 às 08:00

Passadas algumas luas, almoçávamos sem melhor motivo, senão, satisfazer as células sempre ávidas por alimentos. Ao alcance do olhar alguém adentrava ao local, poucos minutos após, outra pessoa, a qual seguiu diretamente à mesa da primeira, momentos seguidos, uma terceira, tomava o mesmo destino, quando, instintivamente, manifestamos aos que nos rodeavam: vão decidir a eleição em Santo Ângelo. Olhos arregalados, indagações, silêncios.

Em outra oportunidade, em período, horário e local semelhante, ainda antes do pleito municipal passado, recebíamos uma sentença: a Azul vai aportar em Santo Ângelo! Nosso silêncio foi absoluto. Desconhecíamos dos acionistas da mesma, por igual, quanto a colaboradores.  A eleição se realizou e o vencedor estava ligado àquele grupo. Hoje, a Azul já está sendo comentada nos meios de comunicação.   

Com a Azul ou sem Azul, o que falta é alguém dizer, quem irá acionar a empresa para reaver os recursos públicos despendidos com a mesma, que, segundo foi apurado, realizou os serviços com material de má qualidade e em quantidade absolutamente inferior ao recomendado, ainda, teria abandonando a obra.

Voltado ao primeiro parágrafo, faltando entre quinze e vinte dias para a realização do pleito, caminhando pelas ruas da cidade, quando questionados sobre as eleições, possível vencedor, instintivamente respondemos, há que haver bastante para vencer as eleições. Qual o lado questionou? ... isso fica conosco.

Quando adentramos a outro eleitoral, é oportuno servir-nos de algumas manifestações tidas em redes sociais, nas rodas de amigos, nos grupos de jogar conversa fora, na voz dos inimigos, na fala dos adversários, no espraguejar dos sedizentes perseguidos, que, alojadas na mente e ficam ali, agarradas feito carrapato em vaca magra, para, voluntariamente se oferecer em determinados momentos, dentre elas, surge - não haviam candidatos piores; esses aí querem assumir o comando do Município?; nunca dirigiram um núcleo comunitário e querem comandar a cidade; em todos os lugares que passaram fizeram m...; este deixou um rastro de destruição onde passou; aquele não soube cuidar das suas coisas; veja quem se apresenta: um falido; o outro aí, é o rei da propina; e por aí vai -!

Já com os olhos voltados ao próximo momento eleitoral, surgem especulações de toda ordem, as pesquisas encomendadas já definem candidatos, eliminam outros, oferecem novos nomes, isso se os encomendadores das pesquisas permitirem a inclusão desses (é normal a pesquisa seca: em qual desses candidatos você votaria), até porque ninguém quer sombra, sequer, permitem o surgimento de novas lideranças com voz própria, mas admitem os papagaios, aqueles que repetem as palavras do “chefe”, vício esse, que vai persistir por longo período, nessa terra de “votantes comprometidos” (o eleitor pedincho não é dono do seu voto)!

Sobre 2016, de ouvido aguçado, fora do bolinho, se colhe: se esse for candidato a prefeito ou vice, transfiro meu título pro Entre-Ijuís; pela primeira vez, anulo meu voto: Santo Ângelo está mesmo, mal de candidato. É evidente que essas manifestações isoladas não podem comprometer o conjunto de nomes postulantes ao cargo máximo no município, mas demonstram o pensamento de eleitores, certos ou errados são posições passíveis de causar influências.

O cenário político/empresarial nacional, até mesmo os exemplos fora dessas áreas, feito o futebol, tênis, basquete e outros, constituíram um quadro muito triste. Porém, voltando ao que já dissemos nesse espaço – o eleitor que cobra pelo seu voto – perde a própria dignidade, a moral e a ética. Portanto, quem pode cobrar quem?
 

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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