Coluna de Renato Schorr

A agonia dos dissidentes
28 de Julho de 2016 às 08:00

Terminamos a leitura de Araguaia, obra de Carlos Amorim, que retrata os tempos da guerrilha na fronteira Pará, Amazonas e Maranhão, na década de 1970, onde um braço armado do PCdoB, esse, produto da ruptura no PCB com a matriz russa, chinesa e cubana, que comandava o idealismo próprio da supremacia proletária. Movimento esse, sob o condão de libertação do povo, sob a ótica dos seus idealizadores, levando aos fundões, a sublevação das massas, contra o regime vigente.

Toda obra deve ser lida, mas principalmente, compreendida, inclusive, os subterfúgios! Alguém vendo o livro sobre meus pertences, questionou: estás a ler! Sim, a resposta foi imediata. Compartilhas? Compartilhando ou não, devemos ler, “retrucamos”! A leitura normalmente acrescenta na vida da gente. Partidário ou contrário ao assunto, a gente não pode subjugar o trabalho alheio, pode ao final, desconhecer do assunto, mas estará em paz com a consciência, ao ler conteúdo! Confesso que o assunto, além de polêmico na essência, não traduz a verdade. Ela, a verdade ficou escondida nos grotões da selva.

Pois então, o livro transcreve apenas algumas questões relativas as atividades desenvolvidas nos confins, deixa de esclarecer as razões pelas quais a verdade nunca ficou escancarada. Os reais objetivos, em nenhum momento a obra traz as verdadeiras razões do movimento levado a efeito. Inclusive, deixa de esclarecer que estava vinculado ao movimento comunista internacional e que muitos dos seus membros estiveram ainda na década de 1960, na China, Rússia, Albania, Cuba e outros países, se especializando na guerrilha. Por que esconderam isso do povo humilde?

Por outro lado, a região escolhida para atuação, os recônditos, cuja população totalmente humilde – sequer foi consultada pelo movimento emergente -, se pretendia participar ou mesmo, organizar uma manifestação contra o sistema! Alguém decidiu que aquele povo necessitava da ação comunista! Quem decidiu? Um grupo urbano, ligado ao movimento internacional e por ele era fomentado e ainda, suas atividades eram destacadas lá na distante Albânia, China, Rússia, Cuba e outros. Agindo ao despropósito daquele povo, o qual, pela falta de conhecimento, se tornou objeto de manobra e sofreu as consequências, inclusive, o justiçamento, com a morte, pelos agentes comunistas.

Essa máxima, está no livro Araguaia, aqueles que “traíssem” o movimento que se instalou nos confins, respondia com a própria vida. Alguém pode levantar a mesma bandeira hoje, o justiçamentoque ocorre diuturnamente possui precedentes! Ninguém pode ignorar? Todavia, seguindo texto em tela, a ação governamental era tida por repressiva, mas a morte das forças públicas era exaltada com veemência, além de merecer comemorações, restando publicadas nos meios de comunicação estrangeiras, ainda que, distantes. Você leitor, lembra da morte de um policial, a pouco tempo e a consequente comemoração ao redor do corpo.

Governantes, embora do passado, feito Getúlio, eram tidos por tiranos, fascistas, desalmados, exploradores e por aí vai. Contudo, os objetivos dos entrincheirados nas selvas, demandavam intenções de salvação das massas, embora, os dissidentes do movimento, simplesmente, eram eliminados, por determinação de uma comissão! Mas Getúlio e outros eram ...desalmados...! Ainda há muito para ser esclarecido...!
 

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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