Coluna de Renato Schorr

Chegadas e partidas
01 de Dezembro de 2016 às 08:00

Nas sutilidades dos temas, nas provocações e instigações, surgem oportunidades para pesquisas, consultas, leituras, diálogos e todos eles nos enriquecem em conhecimentos, esses, sempre muito aquém daqueles desejados e que já deveríamos dominar, no lombo da nossa caminhada. A falta de leitura sempre é atribuída a escassez de tempo, embora o dia continue com vinte quatro horas e o mês com trinta dias, sem nos aperceber, em ceder um bom dia ao vizinho, o chimarrear com um compadre, um vinho com alguém especial. Porém, parece, que dia tem setenta e duas horas, ao levarmos as condolências aos familiares de alguém vastamente conhecido, ainda que lhe negassemos um adeus, na penúltima esquina.

Provocamos o Ruben César e de imediato preditou – chegadas e partidas! Fora no dia fatídico! Fatídico? O da “Chape”. Lamentável... todos já disseram lamentável. Diria, Oscar Pinto Jung: já estava previsto nos escritos do Comandante Maior. Por sua vez, Paulo Paixão, que cedeu, no evento, mais um filho ao Onipotente, agradeceu, por mais um dia de vida terrena. Muitas vidas partiram num só momento, muitíssimos mais, assistem pasmados, cada qual, a seu modo, expõe seus sentimentos. Por óbvio, todas as manifestações devem ser respeitadas!

Alguns dados colhidos nos oferecem números alarmantes no Brasil, somente em acidentes automobilísticos são contabilizados mais de uma centena de pessoas  mortas/dia. Todavia, o espanto não para aí, segundo as fontes, no País outra centena perde a vida por armas de fogo, armas brancas e outras atrocidades. Olhando sob esta ótica, o choque emocional com a querida gente da Chape, os números destes não são impactantes, porém, a comoção é devido contingente de pessoas num único meio de transporte e a visibilidade pública das mesmas.

Mas chegadas e partidas, são coisas do cotidiano, entra ano e sai ano, um mês se sobrepõe a outro, a vida floresce no dia a dia, com a vinda de anjinhos, todos nascemos pequeninhos, nem todos ganham estatura, por vezes, o Patrão das Alturas, abrevia a caminhada, por entender que é hora chegada, momento de partida, o louvor da vida, do convívio terreno, impertence à cada vivente, dela cuida o Deus Onipotente.

A partida deixa os rastros dos caminhos percorridos, a dor se assenhora de quem fica, o viageiro vai sorrindo, se houver semeado belos gestos, seu futuro brilhará em manifesto, tudo se desenhará lindo, os seus anais serão lidos, penas brandas, menções doridas, segundo os próprios pergaminhos, no terraço do outro plano, não haverá lugar pra desengano, nem para as mutretas terrenas, ninguém saudará com falcatruas, tal as praticadas nestas ruas, o Senhor é Mestre bondoso, é a essência da fidalguia, é humilde sem trono luxuoso, conserva lá um espaço, sem regalia!

Quando aportamos nas chegadas, trazendo a cor da inocência, ouvimos os cantares de bem-vindo, nos chamam de fofo e bem lindo, pulamos de colo em colo, desvencilhados, corremos no solo, saltitamos de contente, crescemos e nos “fizemos gente”, para alegria dos familiares, mas como são tristes os pesares, quando voltamos pra Deus num repente!

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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