Coluna de Renato Schorr

Desconectado
12 de Janeiro de 2017 às 08:00

Entre morros, num paraíso! Nascentes, fontes, sangas e uma eterna canção de vida. Os sons tonalizados pelas espécies, algumas em via de extinção. A velocidade do vento faz a melodia. Até os ouvidos moucos, assustadoramente, se põem a escutar, ouvir e concluir... uma maravilha! Seria um espetáculo natural? Harmonia, nalguma grota. Grota aos olhos de alguém, um tesouro para aqueles que buscam um verdadeiro sentido para a vida e o bem viver. A fantasia buscada ansiosamente é tão fantasiosa quanto misteriosa, porém, ao nosso dispor, sem nos apercebermos de que ela existe!

A decantada civilidade/urbanidade, nos moldes descritos por conceitualistas e no dizer da “nobreza”, seria um reduto onde imperaria o apogeu das relações interpessoais da humanidade. Esta, recheada de Mestres e Doutores a filosofar doutrinas civilizatórias, porém, os mesmos, jamais visualizaram um norte comum. Segundo alguns, os humanos chegaram ao ápice, enquanto outros sustentam que o homem está regredindo, socialmente falando, capaz de abrigar um cão na sua cama, contudo, fechando os olhos ao desamparo de seus semelhantes. Mas há outra corrente, associando o acolhimento de bichos a evolução intelectual, aliando-as. Decida a questão, ó nobre(a) leitor(a)!

Entretanto, conceituar, estabelecer parâmetros, promover comparações, estimular conflitos, não dirime situações, pode até mesmo, criar situações embaraçosas, inflamar debates. O homem jamais vai conseguir chegar a um consenso e desde que habita o Planeta Terra, as guerras e/ou assemelhados, ocorrem diuturnamente, ceifando um sem fim vidas. As atrocidades não cessam, pelo contrário, a impressão que fica é a de que o homem retrocedendo em seu modo de agir e a violência está em ascensão, multiplicando-se por todos os cantos!

Louvar os próprios feitos, aliado a vaidade faz parte das atitudes dos humanos, contudo as disputas de posições, cargos e espaços deixa a pessoa vulnerável, sujeita ao cometimento de atos impensados e de difícil retratação e a quase inviabilidade de voltar pureza do nascimento. A tresloucada ambição leva o indivíduo ao ridículo. A “arcaica” natureza nos ensina graciosamente| os caminhos do bem e o destino final de todos nós. Entre os morros, não há solidão, nem motivos para o tal, sequer, stress, todavia, existe um belíssimo cenário, onde ambição não ecoa e todos compartilham do mesmo espaço. Estar num cantinho do Céu, na Terra, não tem preço. Desconectado então...! 

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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