Coluna de Renato Schorr

Construir a paz
23 de Fevereiro de 2017 às 10:23

Visto está que a paz é um sentimento próprio! Escrever, falar, saudar, inventar, desfraldar bandeiras, iludir, fazer crer, reunir, cavalgar, tropear, caminhar, sentar praça, palestrar, tudo isso é valioso, conquanto, para nada serve, exceto, quando o vivente se propõe a construir um estado de paz, dentro de si. Ainda que discussões homéricas, sobre o seu time de futebol, cor partidária, a propina do seu partido político, admissíveis, quando ao final, possam resultar em fraternos abraços e a certeza dessas atitudes contribuírem, para construção de um tempo novo, onde a paz social, seja atitude!

Defender os homens que dirigem a nação, sob a cor dessa ou naquela grei partidária, os representantes políticos de “a” ou “b”, as anomalias praticadas no exercício do cargo, em favor próprio e dos seus, espoliando os cofres públicos, não passa, a bem da verdade, de uma afronta a lei, a ordem, a ética, as instituições, fere dignidade do semelhante, por fazer crer – que existe virtudes nas ilicitudes! É difícil aceitar nosso vizinho batendo pé, pelo seu governante, quando ele enricou em pouco tempo. Melhor seria – calar! A defesa intransigente deixa a impressão que o defensor, recebeu a sua quota-parte. Atitudes essas, jamais podem inspirar a p a z!

Palácios sempre existiram, no mesmo sentido, casebres, falando de tempos mais recentes (alguns milhares de anos para cá), excluído o período de outros habitantes sobre este planeta. Daquele período, não dominamos as questões sociais, se divididos em castas ou não, porém, de suas obras arquitetônicas, há registros e reminiscências, espalhadas pelo mundo, embora ainda haja monumentos soterrados, encobertos pela vegetação, submersos, atiçando o imaginário dos arqueólogos e historiadores, sempre havidos por novos desvendares. Essas verdades não inibem a construção da paz! Pelo contrário, os exemplos neles contemplados deixam impressões da grandiosidade daqueles.

Comentários desairosos tomam proporções acentuadas, quando ocorrem relembranças ou comemorações fatídicas, visando denegri-las, contudo, essas oportunidades são apropriadas para lembrar a existência da paz, por vezes, fruto de guerras (no Brasil, os saqueadores enaltecem a democracia quando estão em vias de experimentar o cheiro ocre das jaulas, antes, servem desta, para fins ilícitos, o que entra noutra seara). A paz, no atual contexto, agoniza, sem muitos motivos, para abandonar a UTI! Reestudar a estrutura social é exigência urgentíssima, diante do caos que nos assola.

Entretanto, jamais podemos aceitar que seja por parâmetros desmedidos, tal, inventamos uma mídia avassaladora, em favor dos desfavorecidos, em contrapartida, por passo de mágica, nós e os nossos companheiros experimentaremos fortunas. Urge, a nação seja vista como todo, nada de - prós/contra. Um povo de semblante único! Um país onde os representantes sejam vigiados diuturnamente, os entrepostos comerciais, obrigados ao recolhimento diário, o povo produzindo o seu sustento, o contraventor, investigado e julgado, sem semblante ou poderio. A paz social é a mola propulsora de uma nação desenvolvida. A paz é possível! No caso brasileiro, apenas nas palavras!

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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