Coluna de Renato Schorr

Para onde vai o desconto rural
29 de Junho de 2017 às 09:00

Assistindo a um debate numa emissora de tv, ficamos estarrecidos com os números apresentados pelos debatedores, um verdadeiro cadafalso! ( cadafalso: Estrado, tablado ou palco erguido em lugar público para nele se exporem ou se executarem os condenados). Sabidamente, no Brasil, a caturrita leva a fama, pelos milharais devastados pelos papagaios. A aposentadoria nada mais é do que, uma poupança forçada, à qual, o cidadão, após recolher mês a mês, determinado valor, cumpridas as disposições legais impostas pelo legislador, quanto ao tempo de contribuição e idade, os valores retornam à ele, minguadamente, no mesmo sistema do recolhimento, com um porém, nos períodos dos depósitos, o Governo se utiliza dos valores.

Há que se provocar o leitor, sobre a questão dos valores depositados, esses, tal o FGTS, são valores do cidadão! Pois creiam, o governo desfruta destes durante toda a vida útil do trabalhador, mas remunera-o de forma mínima, enquanto desfruta dos recursos. Curiosamente, quando o Governo do Rio Grande fracionou salários, também picoteou o dos aposentados! Embora os recursos estivessem no caixa do Governo, desde todo o sempre! Inaceitável!!!

Outro fator, a aposentadoria deveria ter regra única para todos os brasileiros e ser via INSS, para todos os brasileiros (por iguais, segundo a Carta Magna), todavia se verifica um abismo, uns são contemplados com valores irrisórios, aceitáveis diante dos valores recolhidos durante a vida laboral, entretanto, inaceitáveis, quando o mesmo legislador estabelece regras diferentes para “esses iguais”, instituindo a desigualdade, oficialmente. Assim fica claro, no Brasil, há dois tipos de cidadãos: o primeiro, um ser lapidado que merece elevados salários, por igual, os proventos de aposentadoria; o segundo, se constitui num rupestre, ao qual é impingido salário irrisório e a sua aposentadoria, é humilhante! Aceitável seria, houvesse um sistema eficiente de atendimento de saúde, fornecimento de medicamentos, social, entretenimento e outros, contudo...!

Quanto ao debate acima mencionado, os dados demonstram plenamente que os trabalhadores e empregadores não são os responsáveis pelo déficit previdenciário, esse é exclusivo do setor público, também quisera, só no Congresso Nacional, nada produz, exceto, corrupção, mas dos cofres da união saem mensalmente, verdadeiras fortunas para compor os vultuosos salários/aposentadorias e contribuições da classe política e dos agentes do governamentais, inclusive, dos apaniguados.

Mas para onde vai o desconto rural? Qual o caixa que abarca os valores descontados do rural, via bloco rural? Neste país, por certo vai para alguma mala, elicóptero, navio sonda! Os descontos rurais, segundo consta, estariam entre 2.1 e 2.5% sobre o produto bruto, o que representa uma verdadeira fortuna. Quem explica isso!

Vai ao leitor, um fragmento de texto colhido na internet, de Viviane Petroli – ‘Ferreira afirma que a mudança repentina de postura do Supremo Tribunal Federal (STF) surpreende. “Mas, confirma ainda mais o que temos visto recentemente, que são julgamentos baseados mais em questões extrajurídicas (tais como baixa na arrecadação, crise econômica, crise da previdência, etc.) do que efetivamente jurídicas. Juridicamente tenho convicção de que o Funrural é inconstitucional”.’

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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