Coluna de Renato Schorr

Na luz de Paixão Côrtes
13 de Julho de 2017 às 08:00

Havia um tempo dos descampados! Havia um tempo das terras neutrais! Havia um tempo dos processos de difusão da fé! Havia um tempo da redução dos livres! Havia um tempo de disputa entre os homens que propagavam a fé e as coroas ibéricas! Então a guaranítica e, no após, a delimitação!

Embora a delimitação, vieram a pilhagem, furtos, invasões e por fim, o estabelecimento definitivo do domínio português! A ocupação definitiva pelo Coroa Portuguesa, a vinda da Família Real, as forças militares e as milícias neste sentido. Os ares libertários trazem consigo a Epopeia Farroupilha, e esta sangra o solo sulino. O declínio do Império culmina com a Federalista, em dois momentos cruciais (1893 e 1923), jorrando sangue do ódio, expelido nas vozes das adagas.

Neste Brasil esquartejado, se estabeleceu o povoamento do Rio Grande, algo, quase impensável, diante do fratricídio! Ao retroceder mentalmente, sobre essas plagas e suas gentes e suas terras e seus interesses, dir-se-á: inverídico!!! Crer que o Rio Grande se fez forte e pujante, é inacreditável! Nele surge a figura que tornar-se-ia – imponente, nas mãos habilidosas de Antônio Caringe, que edificou a figura do laçador!

João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes, nasce nesta pampa dadivosa, em 12 de julho 1927, no atual município de Santana do Livramento. A luz recebida por Paixão Cortes, foi a grande responsável pelo atual Movimento Tradicionalista Gaúcho! Isto, porque o intrépido piá campeiro, “perdido” nos pergaminhos da Capital, ciente do translado dos restos mortais do General Farroupilha David Canabarro, logrou êxito em proceder na guarda dos  mesmos, até Panteon. O começo de tudo!

Esse jovem fora de certa forma audacioso àqueles tempos, nos dias anos dias atuais, deve ser saudado efusivamente, com toda justiça, quando completa noventa aninhos, em plena espiral do tempo, lhe preserva a memória, e ele a do seu pago. Parte dele, o colóquio inicial de toda a questão do gauchismo, do Folclore, cultural, artística, musical, vestimenta, cívica, campeira, econômica e demais interligadas, deste querido Rio Grande! Dizer um simples – parabéns, é opor demais, singelo!

Paixão Côrtes é cidadão honorário do município de Santo Ângelo, através do Decreto Legislativo nº91/08, de 11 de março de 2008, da Câmara de Vereadores de Santo Ângelo, propositura deste humilde peão, na condição de

Vereador suplente, com o de acordo do Vereador Vilson Rossini! Proposição aprovada pela relatoria e em plenário, à unanimidade.

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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