Coluna de Renato Schorr

A sonhada pátria pampiana - Rio- grandense
14 de Setembro de 2017 às 15:00

Ainda vingasse o sonho, o Sol brilharia sulino; a Lua faria gracejos pampianos; o cruzeiro que nascera assim, sulcampesino, se diria constelação de Bento; o cavalo crioulo, parido pela terra prenhe de xucrismo, relincharia chamames; os quero-queros guardiões, desatariam numa linda rancheira; os bois franqueiro berrariam uma polca, por filho do berrante; as teiniaguás, essas princesas, valseariam seus bailados nos açudes dos recônditos; as estrelas interpretariam chacareras, qual o escondido, brincando com as gentes, ludibriando corações forasteiros, nas bravatas das nuvens.

Ainda vingasse o sonho, os pombos-correio, no biquinho, levariam as correspondências, de mensagens e prantos, depositando-as no coração agraciado; ah, os Joãos Grande, aquelas aves portentosas, conduziriam ao colo das mães, os filhos prometidos nas mensagens divinas. Os misteriosos papagaios, em suas mensagens cifradas, demandariam denúncias dos “prelados”.

Ainda vingasse o sonho, a prosa noturna, na varanda grande, teria a regência dos mais experientes e os ouvidos atentos dos guris, colhendo as seivas do saber, sob luares encantadores; as menininhas correriam os campos colhendo cogumelos, em forma de guarda-chuva, para proteger as suas bonecas; os meninos taludos, ah, esses taludos subiriam nas amoreiras catando o roxo aroma das amoras, representativas de nostalgias amorosas; os senhores dos campos, vigiariam as manadas em seus mangrulhos, como fazem os volantes.

Ainda vingasse o sonho, as rubras auroras seriam corações reempetalados com aromas de bem-me-queres; os romances tafoneiros sob piar das corujas, suscitariam arrepios; o Negrinho do pastoreio, em belo riso, cavalgaria pela pradaria, sobre o dorso do alazão, na proteção da Santinha, pra visitar a amada; ah, as prendinhas do pago, sorririam qual os vagalumes, quimeriando sentimentos; a esperança deixaria de ser esperança, estaria - certeza, verdade, confirmação.

Mas hoje, permitam-me, somente hoje: sou Gomes Jardim, recepcionado a vanguarda da revolução e acolhendo Bento na morte; sou Onofre Pires, do comando revolucionário; deixa-me ser, Bento Manoel, na bandeira sulista; suplico, ser Garibaldi, em aventuras marinhas; requeiro ser, Teixeira Nunes, em bravura; peço, ser um pouco de Vicente da Fontoura; lanço flores aos bravos lanceiros e neles quero me espelhar; relembro David Canabarro; ouso comemorar todos os farroupilhas, tombados ou não na efeméride; reverencio Joaquim José de Mendanha, no ecoar do Hino Farroupilha; não sou bravata; sou Seival em batalha e campo de proclamação; sou o rancho perdido na coxilha e nos fundos das tabatingas; estou Bento Gonçalves da Silva, Presidente da República de Piratini; e, Antônio de Souza Netto, bravo no embate, fiel no proceder; exalto-me em - Antônio de Souza Netto – proclamando a República de Bento; estou independência da pampa sulina. Minha pátria, minha rebeldia,  Liberdade – igualdade – humanidade! Pouco importa o preço!!!
 

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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