Coluna de Renato Schorr

Uma estranha dança para um Policial morto
23 de Setembro de 2017 às 09:00

Sobejamente, sobram razões para falar sobre a Semana Farroupilha, contudo, a contragosto, há que se deixa-las, para outro momento! Ocorre, a supressão dos valores e das cousas valiosas, buscam passagem neste momento. Valores esquecidos  feito feijão debulhado ao pé, se perderam pelo caminho da humanidade, permitindo o recrudecimento dos desvalores, se sobrepondo, tal o mal sobre o bem, com ou sem consentimento! Mas cada um de nós é corresponsável com a situação.

A morte de um policial a golpe de foice, em plena praça, a luz do dia, em Porto Alegre/RS, e a mão assassina, jamais teria sido reconhecida, embora houvesse olhares e silêncios, uma bússola voltada a um Prédio de elevado significado, e o algoz aclamado, verdade ou não, há comentários da ocorrência do fato. Enquanto isso, outro, no sentido contrário, logo se saberia da autoria, com alvoroço, por condenação!
Em determinado local, no nosso glorioso estado do Rio Grande do sul, um policial restou estranhamente homenageado, com danças, ao derredor do seu corpo, por pessoas envolvidas na sua morte. Era um policial!!! Que mal teria?!?

Chefões de fações criminosas merecendo reconhecimentos! Chefões do crime aliciando meninos e meninas, transformando-os em seus soldadinhos (as), com a complacência, em especial, do Poder Executivo de todas as esferas! Bem isso. Ocorre que as ações policiais são da ordem de repreensão, conquanto, as ações executivas experimentam profunda inércia, talvez, por “constrangimento”. Embora estivessem esbugalhados com as prisões de seus pares, melhor seria, agir ainda que por excesso, ao passo de viver de omissão.

Algumas pessoas neste país se multiplicaram em esforços, no sentido de oportunizar o conhecimento às crianças e jovens em educandários, com resultados positivos, ainda que insatisfatórios. Contudo, os resultados nos mostram a ausência da questão estruturante do entorno. Havia um tempo onde o exemplo positivo possuía maior valor! Todos somos produto do meio em que vivemos. Aquele, diferenciado do meio, quebrando a regra, será sempre a exceção. De sã consciência e sem engodo a nós mesmos, sabemos muito bem: a situação posta favorece o crime e o caus está aí, irreversível!

Estamos totalmente perdidos, sem norte, sem solução, apenas com problemas e neste emaranhado de incertezas, no tocante a um dos poderes vitais do Estado Brasileiro, podemos antever que e a indesejada guerra entre as facções políticas, construiu este abismo/vulcão, prestes a entrar em erupção. Haverá um dia, diante dos nossos olhos (se houver essa possibilidade), abrir-se-á um gigantesco abismo/abalo, quando de nada adiantará chorar, orar, a desgraça virá com tal fúria, sequer os responsáveis diretos e indiretos alcançarão porto seguro! A desgraça também lhes abraçará!

Quando o bandido dança ao redor do corpo de um policial “abatido”, estamos verdadeiramente perdidos, com a inversão total e absoluta dos valores!!!

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

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