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Santo Ângelo não terá evento de Carnaval em 2016

Decisão foi tomada em reunião ontem, entre Liessa, escolas de samba e prefeitura

12 de Janeiro de 2016 às 10:06
Santo Ângelo não terá evento  de Carnaval em 2016
Reunião ocorreu na manhã de ontem, na prefeitura. Secretário de Turismo, Esporte Lazer e Juventude, Marcos Mattos (esquerda) não permitiu que imprensa acompanhasse o encontro. (Foto: Priscila Nhoatto/AI Prefeitura de Santo Ângelo)

Após o cancelamento dos Desfiles do Carnaval de Rua de Santo Ângelo, a comunidade santo-angelense também ficará sem o evento que seria realizado para a substituição da festa popular. A decisão pelo cancelamento das atividades do Carnaval foi tomada em reunião na manhã de ontem, com acordo entre Liga Independente das Escolas de Samba de Santo Ângelo (Liessa), representantes de escolas de samba do município e prefeitura, através da Secretaria de Turismo, Esporte, Lazer e Juventude. A imprensa não pode acompanhar o encontro por decisão arbitrária do secretário responsável pela pasta, Marcos Mattos. Apenas a Assessoria de Imprensa da prefeitura teve acesso a reunião.

REPASSE INSUFICIENTE
A definição por não realizar o evento ocorreu diante da dificuldade financeira da administração pública em repassar recursos para a realização do evento de Carnaval em 2016 e também pelas dificuldades na captação de recursos através da Lei Rouanet, Lei Federal de Incentivo à Cultura. Para a realização do Carnaval 2016, a Liessa, juntamente das escolas, fez a apresentação de duas propostas para ao Executivo Municipal: a primeira, com a realização do evento na rua, que posteriormente foi trocado para a realização do Carnaval na sede das escolas, para diminuir custos.

A iniciativa contemplava o repasse de R$ 35 mil da prefeitura, sendo o recurso dividido entre as escolas e Liga, com R$ 5 mil para cada. O valor seria utilizado na estrutura do evento (som, iluminação, segurança). Porém, o valor disponibilizado pelo Executivo seria de R$ 20 mil, considerado insuficiente para a realização do evento. Em 2015, o valor repassado pela prefeitura para a realização do Carnaval de Rua foi de R$ 60 mil.

DECISÃO UNÂNIME
Conforme o presidente da Liessa, Romaldo Melher, “diante dessas dificuldades, não há condições financeiras para a realização do evento de Carnaval em 2016. Foi uma decisão tomada de forma unânime. Nos sentimos machucados e gostaríamos que fosse realizado, mas entendemos a situação de adversidade financeira. Além disso, também não podemos colocar as escolas em algum risco de endividamento”.

CAPTAÇÃO DE RECURSOS
Conforme Melher, a Lei Rouanet, aprovada para esta edição do Carnaval, será prorrogada e a previsão para 2016 é aplicar a legislação para a captação de recursos durante o ano todo, retomando a realização do Desfile em 2017. A estimativa é de que haja a contratação de um profissional específico que realize esta captação de recursos através da lei. Dessa forma, aquilo que as escolas já haviam preparado para o Carnaval nesta edição provavelmente serão utilizados no próximo ano.

OPINIÃO DAS ESCOLAS
O descontentamento entre os representantes das escolas de samba e da Liessa também foi unânime, perante a definição tomada. Todos revelam que não gostaram da decisão, mas que compreendem o momento de crise financeira.
Em entrevista ao Jornal das Missões, os representantes e presidentes das escolas relatam seu posicionamento quanto ao fato de não haver evento de Carnaval neste ano. Confira abaixo: 

Leandro Almeida (carnavalesco), representante da Unidos da Zona Sul - "Gostaria que fosse diferente. Este valor que a prefeitura daria para cada escola é pouco para a realização de evento e em tudo tem gastos, com sonorização, estrutura. Gostar, de fato, ninguém gostou da decisão, mas essa foi a alternativa a ser feita diante da situação".

Osmar Campos, presidente do Império da Zona Norte - "Gostaria que o evento de Carnaval neste ano fosse realizado, assim como todos os demais representantes, mas diante dessa situaçãode dificuldade financeira e da própria crise econômica, não será possível a realização do evento de Carnaval 2016".

Marisa Schimidt, presidente da Mocidade Independente de São Carlos - "A gente que faz o Carnaval acontecer fica triste com essa decisão. Não concordo em não sair o Carnaval. A prefeitura diz que não pode fazer mágica, mas quem faz a mágica somos nós. Mas, perante o valor que foi oferecido, fica difícil a realização".

Eva Porciúncula, presidente da Grande Pippi - "O que tenho a dizer é que lamento muito. Estávamos com tudo programado, samba, tema. Somos aqui seis mágicos que vínhamos fazendo milagre para colocar o Carnaval na rua. Mas diante das dificuldades financeiras, a alternativa é não realizar o evento".

Grace Taday, presidente da Imperadores do Samba - "Diante da magnitude do que era o Carnaval, o que temos é lamentar e batalhar para realizar o Carnaval em 2017 da melhor maneira possível. Não poderemos realizar o evento tendo em vista estas dificuldades financeiras, a situação não permite que o evento aconteça".

Antônio Cardoso, representante da Acadêmicos do Improvizo - "A decisão foi tomada por todos durante o encontro, em função da crise financeira. É claro que quem gosta e se envolve com Carnaval gostaria de realizar o evento, mas tendo em vista essa situação não será possível a realização do Carnaval neste ano.

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Fonte: Jornal das Missões

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