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Casarão da década de 20 do século passado foi restaurado

O prédio foi construído por Raul Oliveira e fica em frente à Prefeitura Municipal

28 de Fevereiro de 2012 às 07:00
Casarão da década de 20 do século passado foi restaurado
Casarão construído em 1928, que fica Antunes Ribas, foi reformado pelos proprietários

Quem passar pelo Centro Histórico de Santo Ângelo, mais precisamente pela Antunes Ribas, na altura do nº 1096, em frente à Prefeitura Municipal e em diagonal com a Praça Pinheiro Machado, verá que o casarão daquela esquina está reformado.

Os proprietários, que preferiram não se identificar, optaram pela preservação do patrimônio histórico. “Isso se deve à consciência preservacionista do proprietário atual, que restaurou o imóvel ao invés de reformar ou demolir e construir no local um prédio comercial”, observa Debora Mutter, professora de História na Escola da URI, que está concluindo Mestrado em História na PUC de Porto Alegre.

A restauração deste antigo casarão acrescenta mais um elemento ao debate sobre os prédios históricos da cidade. No ano passado, as obras de demolição em um casarão nas esquinas da Antonio Manoel com a Florêncio de Abreu foram embargadas pelo Ministério Público, após o protesto e mobilização de pessoas favoráveis à preservação dos prédios históricos de Santo Ângelo. O caso ainda não teve desfecho e a obra está parada e cercada por tapumes.

ANOS 20

O casarão da Antunes Ribas, de acordo com a pesquisa da professora Débora Mutter, foi construído por Raul Oliveira, filho do Coronel Bráulio de Oliveira e cunhado de Ulysses Rodrigues por volta de 1928, e por muito tempo foi residência da família Oliveira. Posteriormente a casa foi comprada pelo senhor Pedro Osório do Nascimento que utilizou o local como sede de seu escritório de advocacia. “O prédio é antigo e interessante pela sua arquitetura e formato. A construção da década de 20 tem características do Art Déco. Está muito bem caracterizada e em bom estado de conservação”, salienta.

O proprietário restaurou todas as aberturas antigas, portas e janelas. “Além disso, o novo proprietário buscou tintas com as cores que respeitam a época. Vale lembrar que a cor ainda está perfeitamente harmonizada com a do entorno, como o museu, a prefeitura e a catedral”.

 

Levantamento dos prédios históricos de Santo Ângelo

A professora Débora está fazendo um levantamento dos primeiros 100 anos da recolonização de Santo Ângelo, entre os anos de 1830 a 1930, para a sua dissertação de Mestrado. “As primeiras casas, em 1831, eram residências de madeira, que não existem mais. A casa mais antiga de Santo Ângelo é o Museu Dr. José Olavo Machado, que é de aproximadamente 1870”, destaca Débora.
Conforme a historiadora, ainda há poucas moradias do século 19 em Santo Ângelo. Além do Museu, há o prédio na esquina da Marquês do Herval com a Antônio Manoel, onde fica o Skinão Lanches; uma residência na esquina da rua Sete de Setembro com a Marquês do Herval; o prédio da Moto Peursi, na Antunes Ribas; e o da Farmácia Continental, na esquina da Marechal Floriano com a Antônio Manoel.

Débora chama a atenção para a importância da preservação dos prédios históricos de Santo Ângelo. “Existem outros marcos que representam a imigração, a recolonização e o desenvolvimento social e econômico de Santo Ângelo que também precisam ser preservados. Infelizmente nem todos têm essa consciência. Com projetos respeitosos de restauração e revitalização, estes prédios podem recuperar toda sua importância para a paisagem urbana e histórica, entrando em harmonia com o uso econômico abrigando as mais variadas funções”, conclui.

Fotos vinculadas

O prédio, antes de ser reformado pelos proprietários

Por Fernando Goettems (fernando@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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